sábado, 5 de agosto de 2017

DSTs em alta - parte II

As notícias do post anterior sobre DSTs não foram apenas 'notícias' pra mim. 

Há duas semanas o Mário deu um susto na gente. Passou um final de semana prostrado, cansado... E na 2ª feira foi pro hospital e logo diagnosticaram hepatite A. Eu fui pra lá ficar com ele e não é nada agradável ver um amigo na cama de hospital doente. A infecção veio bem severa nos primeiros dias mas depois se estabilizou e agora está tudo bem, ele já está de alta. Mas acredito que esse susto tá fazendo ele repensar algumas coisas na vida (se bem que o bicho é teimoso que só vendo kkkkk).



Há uns dias outro amigo do interior, Henrique, me ligou aflito dizendo que havia feito sexo oral em um cara que ele desconfiava ser HIV+. O cara não gozou, não houve contato com esperma, mas ainda assim, a prática concentra certo risco. E lá fui eu correndo buscar informações com uma amiga do Ministério da Saúde. E acabei aprendendo também.

Existem dois tipos de estratégias de prevenção para pessoas que entram em contato com o vírus HIV. Elas são nominadas pelas siglas 'PEP' e 'PrEP'.

PEP é a profilaxia pós-exposição, por exemplo, quando o preservativo se rompe numa transa ou quando profissionais de saúde tem algum acidente de trabalho, por exemplo, um corte ou uma picada de agulha. Na dúvida, receita-se uma combinação potente de antiretrovirais que deve ser tomada até 72 horas após o ocorrido (tem de ser até esse prazo, senão não faz efeito) e durante os próximos 28 dias. 


Não é toda a prática desprotegida que tem essa recomendação, no caso de sexo oral sem ejaculação inclusive, mas eu não sei exatamente o que meu amigo disse no serviço de saúde, fato é que ele conseguiu a medicação e está tomando (não é fácil, há alguns efeitos colaterais como enjoo e diarreia nos 1os dias, mas é comprovadamente eficaz em reduzir muito as chances de infecção, caso a outra pessoa tenha o HIV).

PrEP é a profilaxia pré-exposição e recentemente foi incorporada ao SUS. Aqui também toma-se uma combinação de antiretrovirais (menos potente do que na PEP) diariamente, como forma de dar ao organismo uma proteção prévia caso ele se depare com alguma situação onde venha a ter contato com o vírus. Pras pessoas que tem dificuldade em usar preservativo em todas as relações sexuais, a PREP vem como uma estratégia adicional de prevenção. Assim como no caso da PEP, não é indicada pra todos os casos, por isso, uma ida ao serviço de saúde ou ao seu infectologista continua sendo primordal! 


Vamos fechar o assunto com duas ótimas notícias:

A 1ª é esta que eu disse acima: a PrEP chegou ao SUS! Claro, ainda vai levar um tempo para estar totalmente implementada e disponível nos serviços de saúde, mas a experiência internacional já mostra claramente que é uma estratégia de prevenção eficaz e que chega pra se juntar às demais estratégias que já temos. 

A 2ª boa notícia se refere à divulgação de pesquisas com casais sorodiscordantes, mostrando que portadores do HIV com adesão ao tratamento e carga viral indetectável não transmitem o vírusIsso é fantástico [e agora há evidências robustas a confirmar a hipótese] e contribui para tirar a alta carga de estigma imposta às pessoas soropositivas. 

Mostra também que é possível levar uma vida praticamente normal e ter um parceiro, ainda que sorodiscordante sem que isso signifique risco de infecção - um fantasma que sempre assombra os portadores, pois muitos acham que por terem adquirido o vírus jamais terão vida amorosa novamente ou que só poderão se relacionar com outras pessoas HIV+.

O desafio agora é espalhar essa mensagem, pois é uma informação ainda pouco difundida na população, como mostrou uma pesquisa recente. A desinformação ainda faz com que muitos não considerem a possibilidade de relacionar com uma pessoa portadora do HIV, quando, de novo, não há risco de contágio se o tratamento estiver sendo seguido corretamente e a carga viral estiver indetectável. 

Vejam que, do ponto de vista de saúde pública, o "problema" não reside nas pessoas HIV+, como muitas vezes o senso comum coloca. Estes estão diagnosticados e em tratamento. O grande vetor de transmissão está colocado nas pessoas que não sabem o seu status sorológico e mantém relações sexuais desprotegidas. Se alguém é portador do vírus HIV mas não sabe disso, não estará em tratamento e sua carga viral muito provavelmente estará elevada a ponto de facilmente transmitir o vírus. É deste cenário que surgem os novos casos. Portanto, continua sendo importantíssimo a prática regular de testagem.



E a testagem está cada vez mais fácil! Os testes hoje já são feitos por meio da saliva (não em todos os lugares, mas a tendência é essa). Antes vc tinha de coletar sangue na veia. Depois surgiu o teste rápido que só precisava de um furinho no dedo e uma gotinha de sangue. E atualmente já é utilizado um o teste rápido no qual vc usa um tipo de cotonete para coletar saliva.

E desde junho desse ano já está disponível nas farmácias um autoteste para detecção do HIV (lembrando que há um período de 30 dias para que o teste consiga detectar a presença do vírus no organismo, a chamada janela imunológica. Antes disso, o teste não terá utilidade). O preço é salgado, mas ainda assim, paga a angústia da dúvida.


Aproveitei o dia de hoje e fui renovar meus testes. HIV, Sífilis, Hepatites B e C. Todos não-reagentes! Por mais que me proteja usando camisinha, ainda assim também me sinto um pouco vulnerável por ter múltiplos parceiros (e gostar disso). Sempre acho que em algum momento terei um encontro marcado com a sra dona Sífilis. Felizmente não foi dessa vez!

O aconselhador do Centro de Testagem, que virou meu amigo, me disse hoje: é a "regra": um pouco de seletividade.

De forma semelhante, achei bacana o que um médico infecto disse num de seus vários textos do blog que sigo, o Universo AA.
E o que fazer frente a isso tudo? O melhor é fazer o que sempre recomendo em relação a qualquer DST: ficar esperto e pensar/falar/agir sobre o assunto, e não ignorar e esperar que algum desfecho ruim aconteça.
O que dá pra aprender disso tudo: precisamos gerenciar nossas vulnerabilidades. Este é o ponto! Aprender a administrar e lidar com riscos. E pra isso, o primeiro passo é ter ciência de quais riscos corremos e adotar estratégias para evita-los ou remediá-los (quando for possível). Cito novamente o médico do texto anterior:
A camisinha é sempre a melhor maneira de [se] proteger de qualquer DST, mas se ela não está sendo usada, conversar com os parceiros sobre suas rotinas de rastreamento de DSTs e manter-se sempre em dia com os seus próprios exames de rotina é algo fundamental para qualquer pessoa que pratique sexo oral desprotegido com parceiros casuais. Dessa maneira, por mais que acabe pegando alguma dessas outras DSTs, o diagnóstico e o tratamento adequados poderão evitar tanto o desenvolvimento de complicações da doença quanto o ciclo de transmissão para novos parceiros.
Algumas dicas simples e fáceis de seguir:
  • Tenha uma rotina de testagem regular em você e no seu parceiro: a testagem está disponível nos serviços de saúde ou nos laboratórios, via convênio/plano de saúde. 
  • Informe-se com um profissional de saúde sobre sinais e sintomas causados pelas DSTs e fique atento em seu corpo e, na medida do possível, no de seu(s) parceiro(s) também (lembrando que às vezes DSTs podem ser assintomáticas). 
  • Mantenha-se em dia com a vacinação: hepatite B e agora também a hepatite A. 
  • Saiba onde e como acessar a PEP, em caso de um descuido e avalie com seu médico ou profissional do serviço de saúde se vale a pena adotar a PrEP como estratégia adicional de prevenção.
  • Em caso de diagnóstico de uma DST, é fundamental testar e tratar os parceiros também. Aqui vale inclusive um lembrete ético: por mais difícil que seja, é importante avisar seu(s) parceiro(s) mais recentes do ocorrido. 
Por fim, se por acaso você se descobrir HIV+, por mais difícil que possa ser, saiba que não é o fim de tudo. O tratamento está disponibilizado na rede pública de saúde, a adesão é bem mais fácil hoje em dia e o conhecimento científico avançou muito a ponto de permitir às pessoas uma boa qualidade de vida. Durante as pesquisas para escrever este texto descobri o blog de um jovem soropositivo e gostei bastante das informações lá disponíveis bem como da rede de apoio criada a partir dessa iniciativa. Vale a pena conferir!

As pesquisas seguem rumo a facilitar ainda mais a adesão (fala-se já em uma injeção mensal que substituiria as pílulas diárias) e também rumo a estratégias que consigam neutralizar o vírus no organismo (sem a necessidade do uso contínuo de medicamentos). Acredito que em poucos anos teremos boas novidades nesse campo!

Coincidentemente, essa semana assisti a um filme australiano na netflix chamado Holding the  man. Baseado em uma história real, conta a vida de dois jovens que ficaram juntos por 15 anos, desde o ensino médio. É uma linda história que mostra também as dificuldades enfrentadas para se viver esse amor (entre as dificuldades, a maior de todas elas, à epoca, o HIV).    

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

DSTs em alta - parte I

E chegou Agosto... alguns leitores devem estar achando que o blog anda numa fase meio down e reflexiva.

De fato...

Eu tenho andado mais na concha, pensando muito no que quero pra mim daqui em diante, avaliando se ainda quero (e topo) calçar os mesmos calçados que venho calçando há anos. É angustiante, mas tento imaginar que são nesses momentos de crise e incerteza que criamos as condições para alçar novos vôos.

De qualquer forma, prometo que em breve teremos mais histórias picantes, porque mesmo nos momentos difíceis sobra espaço pra um pouco de putaria, luxúria e prazer.

Só que antes disso, quero falar um pouco sobre esse fantasma que, infelizmente, insiste em nos rondar (e vai continuar rondando, não se iludam). Quem sabe nossos netos consigam viver num mundo livre de DSTs... Porque nós; definitivamente não vamos. Já havia feito uma 1ª reflexão aqui sobre o HPV, e senti vontade de falar um pouco mais sobre outras DSTs. 


Uma ressalva importante é necessária: quero deixar claro que não sou profissional de saúde, então esta é uma reflexão de uma pessoa leiga que não deve ser tomada por ninguém como orientação. 

O Brasil possui, ao menos nos grandes centros urbanos e cidades médias, diversos serviços especializados de testagem, aconselhamento, tratamento e assistência para as diversas DSTs, então quem tiver qualquer dúvida, procure estes serviços e fale com os profissionais. Ou marque uma consulta com seu médico de confiança. 

Nas últimas semanas tivemos algumas notícias que gostaria de analisar brevemente.

Existe já há alguns anos uma certa sensação de alívio e relax pelos importantíssimos avanços no tratamento do HIV\aids, mas galera, o assunto continua sério e por mais que a gente queira, não dá pra baixar a guada. Ainda que haja tratamento ou cura, as DST tem consequências sérias e causam danos ao nosso corpo (e aos corpos dos nossos parceiros), além de facilitarem a infeção pelo HIV.

Sim, é claro que transar sem capa é melhor, o atrito pele com pele é delicioso, trocar secreções é uma forma incrível de intimidade e prazer. Mas infelizmente algumas limitações e cuidados [ainda] são necessários em nome da saúde, especialmente a longo prazo. 

Já havia comentado em algum dos posts que o Brasil vive uma epidemia de sífilis, que pode ser explicada pela queda nas taxas de uso do preservativo combinado com a prática de múltiplos parceiros (aspecto esse que parece ter se ampliado nos últimos anos com o avanço dos novos aplicativos on line de pegação e paquera). 

Na mesma esteira, as autoridades médicas tem mostrado crescente preocupação com a resistência da bactéria causadora da gonorréia aos antibióticos, a ponto de já se falar em uma super-bactéria. Os médicos dizem que a prática de sexo oral sem preservativo tem ajudado a disseminar a doença. A doença pode infectar genitais, reto e a garganta e é nessa última que reside a preocupação (e onde a resistência a antibióticos foi constatada).

Sim, nos dois casos, existe transmissão também pela via oral. Sexo oral também é sexo!



Como desgraça pouca é bobagem, foi detectada também uma epidemia de Hepatite A entre a população de HSH (que é o jargão epidemiológico para falar dos 'homens que fazem sexo com homens' - o conceito leva em conta apenas as práticas sexuais, sem adentrar nas discussões de orientação sexual e identidade de gênero).

E por que há essa epidemia entre HSH? Parte da explicação passa pela contaminação a partir da prática de sexo anal e de sexo oral na região anal, contaminada (o famoso 'cunete'). Isso porque o vírus está presente nas fezes das pessoas que estão doentes (e até manifestar os sintomas, ele pode ficar incubado, quietinho, sem fazer alarde). 

A 4ª notícia ruim é que há também uma crescente preocupação quanto ao aumento dos casos de resistência do vírus HIV aos medicamentos antiretrovirais atualmente disponíveis, em geral decorrentes do acesso ou da adesão inadequados ao tratamento. E isso acende a luz amarela sobre essa visão difundida de que a aids é uma doença crônica tratável (como é a diabetes, por exemplo). 

Claro, aids pode ser considerada uma doença crônica tratável. Mas a necessidade de adesão ao tratamento continua imperiosa, não dá pra levar nas coxas. Da mesma forma que se vc fizer uso irregular da insulina, terá problemas, o mesmo se aplica ao uso dos antiretrovirais. E a médio prazo, levanta-se uma preocupação adicional de que linhagens resistentes do HIV possam ser transmitidas, ampliando o número de pessoas com possíveis falhas no tratamento.

Apesar de todos os avanços, fato é que os casos de novas infecções pelo HIV não tem caído, pelo contrário, tiveram ligeiro aumento no Brasil e é muito desanimador perceber isso, tanto porque sabemos que o governo brasileiro perdeu seu protagonismo nos últimos anos na adoção de estratégias mais ousadas de prevenção e também porque, na minha opinião, revela um certo descaso das pessoas quanto a se proteger (as últimas pesquisas mostram quedas no número de pessoas que reportam uso de preservativo em suas relações sexuais). 

Claro que muitas vezes o 'contexto' dificulta a prevenção (por exemplo, quando os serviços de saúde não facilitam o acesso à camisinha ou sequer disponibilizam ou quando garotas tem receio de carregar seu próprio preservativo por receio de serem taxadas de putas ou vadias). Mas há uma considerável parte da população que tem acesso à informação, aos insumos, e ainda assim, faz de conta que nada acontece. Prefere arriscar, pois acha que só acontece com os outros. 

Um ponto que me chama a atenção aqui é que a prática de sexo oral (onde praticamente ninguém usa camisinha) está sendo colocada na berlinda e acho que vamos assistir a um debate na saúde pública sobre a necessidade de maior ênfase das campanhas sobre esse ponto. Isso porque se para a transmissão do HIV o risco é menor (quando comparamos ao sexo anal e vaginal), no caso de outras DSTs pode ser a principal fonte de transmissão.

Longe de mim querer um empata-foda hehehe... mas não nego que essas notícias me deixam preocupado e me fazem pensar nas minhas próprias práticas sexuais. Não consigo me imaginar usando preservativo em sexo oral, mas talvez seja o caso de se pensar na redução de parceiros como estratégia individual de prevenção (e falo aqui "individual" porque obviamente não vou defender isso como estratégia universal - cada um deve analisar quais estratégias são mais adequadas ao seu contexto de vida).



quinta-feira, 27 de julho de 2017

O silêncio nem sempre resolve...

E que dureza acordar no meio da noite com uma puta ansiedade no estômago e com um incômodo que vc sabe muito bem de onde vem...

Ando percebendo que uso o silêncio como forma de punir quem me magoa. 



Primeiro: será esta a melhor forma de resolver as coisas?

Segundo: será que isso não acaba se voltando contra mim?

Nos motivos mais imediatos da ação vem de fato o desejo de punição, consequência direta do orgulho. Mas se explorar melhor, eu vejo que há também um instinto de defesa em não querer se deparar com algo tão dolorido.

Vou usar duas das minhas histórias para relatar isso. André e Asher

Leitores: ai HS, de novo essa história do André... que ladainha hein? muda o disco dessa vitrola... 

Eu: Puxa gente... só um pouco de paciência, garanto que vale a pena registrar aqui mais esse aprendizado, que só amadureceu agora pra mim, hehe.

Após nosso último encontro no Rio, o André queria conversar comigo, mas eu não quis e encerrei o papo de forma ríspida. Eu me sentia muito magoado, ferido, puto com o que ele havia feito e achava que conversar sobre o que havia se passado só iria me trazer ainda mais dor (além de não mudar nada). E havia um risco imenso de eu ser estúpido com ele (e disso eu já sabia que me arrependeria). 

O problema dessa "estratégia" é que você fica com um monte de coisas que queria dizer pra pessoa (que não tem forma de adivinhar isso a não ser que você diga pra ela) e ainda perde a chance de perguntar algo que queira. E a história, que poderia ser finalizada de forma mais saudável, fica te perturbando com ares de unfinished business.


Eu perdi a chance de dizer coisas importantes pro André e nem acho que ele saiba dessas coisas. 

Com o Asher, história mais recente, o movimento foi o mesmo.

Ele não me retornou como prometido e eu "concluí" que minha resposta "só poderia ser" a mesma: silêncio. E ainda usei a música como uma resposta "indireta" e dúbia. Uma quase-provocação.

Que feio! Que bosta! Que imaturo da minha parte! (mas é incrível como na hora a gente simplesmente não consegue pensar dessa forma mais racional. Ficamos 100% emoção).

Recebi outra música de volta, sem nenhuma explicação adicional e isso me deixou ainda pior do que já estava. E claro, nós fazemos a interpretação que é possível (independente de estar certa ou não).


De novo, perdi a oportunidade de dizer coisas e também de ouvir dele.

Talvez ouvir algo que não se queira seja melhor do que não ouvir nada e ficar criando hipóteses na sua cabeça (as quais quase nunca correspondem à realidade).

Acho que no caso do Asher eu também já perdi o timming. Eu quase escrevi pra ele no sábado à noite, logo depois que ele respondeu meu post com a música da Lana. Caralho, por que não fiz isso? Por que? Teria sido tão melhor, a gente teria feito um término decente, sim ia ser super dolorido, mas ia ter fechado o ciclo e seria mais fácil seguir em frente. 

Ou talvez ainda valha a pena escrever uma breve msg... vou pensar...

[pausa pro almoço]

De volta.

Criei coragem, fui lá no fundo da minha alma, escrevi uma msg e enviei pra ele. Tentei ser equilibrado, suave, e ao mesmo tempo dizer do que concluí pelo silêncio inicial dele e depois pela música recebida. Ficou uma msg grande e bem escrita.

Falei de todo o meu sentimento mas que era hora hora de não mais alimentar expectativas realistas. Agradeci pelos momentos incríveis vividos e disse que estaria aqui por ele sempre que precisasse. 

Vcs não tem idéia de como me senti mais leve... Uma paz imensa invadiu minha alma. Eu consegui dizer tudo o que gostaria pra ele, de forma equilibrada, sem dureza. 

Que bom poder se permitir ser vulnerável, falar dos seus sentimentos (ainda que não tenha reciprocidade da outra parte). Não deixa de ser um baita exercício de humildade e isso me faz muito bem! Me posicionei e mesmo que ele não me respondesse, eu teria a tranquilidade de não ter deixado nada em aberto.

Mas ele respondeu... e cadê a coragem pra ler? hahahahahaha

Bom, depois de procrastinar e abrir a msg com um puta frio na barriga... ele se disse muito surpreso com a msg, que simplesmente havia se esquecido de me escrever e que havia tido um final de semana muito ocuprado com a família. Disse por fim que não há nenhuma outra pessoa na vida dele e que apenas tinha mandado uma música da qual gostava, sem atinar para o teor da letra.

Meu querido leitor do blog, vc consegue se dar conta das confusões criadas por uma comunicação truncada? Ou pela falta dela? Consegue perceber?

Consegue ver como podemos tirar conclusões que não tem absolutamente nenhum lastro com a realidade? De uma música enviada de forma espontânea, eu fui capaz de construir toda uma narrativa [bom, mas vamos dar um descontinho pra mim... vcs também fariam isso se recebessem uma música que dizia, de forma literal: "my boyfriend´s back and he´s cooler than ever".]

Vendo a resposta do Asher, eu avalio que minha msg foi um pouco estruturada demais, analítica demais, detalhada demais... um pouco dramática demais, hahaha... acho que o estilo de comunicação dele é bem diferente, mais cru, seco, sem muita firula.

De qualquer forma, ficou pra mim claro que eu estou dando mais importância a esta história do que ele. Precisei de algumas evidências pra poder "acreditar" e esse esquecimento (e o fato de ele considerar isso uma coisa normal) foi a prova definitiva.

Eu respondi mais objetivamente, me desculpando pela sensação ruim causada pela msg. Entendia o que havia acontecido mas que o silêncio dele tinha me deixado ansioso. Expliquei a conclusão sobre a letra da música e brinquei um pouco falando que já via essa música sendo remixada pelo nosso DJ predileto. De qq forma, precisava dizer a ele como tinha me sentido e que agora eu estava em paz.

Ele respondeu com um:

Definitivamente, gostaria de ele escrevesse mais pra mim, que se comunicasse com mais frequência. Mas paciência, não vai rolar da forma que eu quero.

Agora uma coisa é certa: escrever esse email e me libertar de expectativas realistas me trouxe paz e uma sensação incrível de liberdade, por não ficar mais dependendo e aguardando ansiosamente uma resposta. Acho que agora me dei conta de uma vez por todas que esta história não vai rolar, que tenho de ser grato pelo que aconteceu e seguir a vida (ainda que troque msgs eventuais com ele - sem que isso mexa comigo).

Pra fechar o post, essa semana aconteceu ainda um 3º episódio que ilustra a tese inicial deste post. Meu pai me ligou e falou que estava preocupado comigo, que eu andava muito quieto, em silêncio, sem falar da minha vida e dos meu trabalho (que sempre tem uma novidade, uma viagem...).


Eu expliquei algumas coisas, falei de algumas dificuldades minhas pra tomada de decisão, da angústia que sentia no atual momento.

HS: então pai, isso eu tô te falando pra vc entender um pouco mais como eu funciono e não ficar preocupado.
Pai: Meu filho, você não tem idéia do quanto eu te conheço.

Achei incrível essa afirmativa dele, feita com muita segurança e tranquilidade. E me senti seguro para falar da história do Asher (não todos os detalhes, claro, hehe), de como eu estava vivendo um momento de "fossa". Eu NUNCA havia falado pro meu pai sobre uma história romântica minha, nunca me senti à vontade pra isso nem achei que ele tivesse algum interesse em saber (apesar de já ter contado pra ele que era gay há mais de dez anos).

Olha, foi muito interessante e ele me acolheu. Do jeito super pragmático dele, com mais de 70 anos de idade, mas me acolheu hehehe... Assim que terminei de descrever a história ele emendou, categórico:

Pai: Paixão. Isso não dura mais do que 2 anos.
HS: ah pai, mas é tão bom. A gente se sente vivo. Sente saindo borboletas do estômago.
Pai: vc "acha" que sente... quando vai ver são lagartas.
HS: hahahahaha.

Me deu vontade de falar mais com ele sobre minha vida afetiva e acho que ainda teremos oportunidades para tanto. Ele me passou uma msg de esperança de que uma hora a gente encontra alguém bacana pra ficar.

Bora então deixar o passado onde ele tem de ficar - no passado. Pro novo nascer, o velho precisa morrer. 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Reencontros e desencontros - breve reflexão sobre a amizade

Acho que no geral, as amizades desempenham um papel ainda mais importante para LGBTs, pois são a fonte de apoio e prazer num mundo que ainda aceita com dificuldade as orientações sexuais e identidades de gênero não-dominantes.


No processo de descoberta e afirmação, muitas vezes nos afastamos da família e do antigo círculo de amigos e temos a alegria de descobrir pessoas que estão num mesmo processo e que têm as mesmas questões que nós. E aos poucos vamos vendo que não estamos isolados no mundo.

Comigo aconteceu assim; eu tenho muito orgulho dos meus amigos gays de mais de 15 anos, amizades ininterruptas e é muito interessante ver como evoluímos juntos, como pudemos testemunhar e participar de vários acontecimentos e com um influenciou o outro nas trajetórias individuais.

Sem esses meus amigos (e os que foram chegando ao longo dos anos), eu seria uma pessoa completamente diferente da que sou hoje (com certeza, muito menos interessante e evoluída).


Atualmente, dois fenômenos interessantes acontecem (e o adjetivo "interessante" não significa que venha sem um pouco de angústia também).

Relatei a briga que tive com o Mário no carnaval desse ano e o baita estrago que isso fez na nossa amizade. Nós conversamos, colocamos tudo em pratos limpos, eu me desculpei quinhentas mil vezes e aparentemente tudo estava bem.


Só que com o passar das semanas eu fui percebendo que o Mário tava um tanto quanto indiferente comigo, parou de compartilhar as coisas dele, nos falávamos com menos frequência... de repente eu tava sabendo coisas dele por 3os; coisas que antes saberia por ele.

Me dei conta que o Mário tinha perdido a espontaneidade comigo. E essa, minha colega, não dá pra fingir. Ou se tem ou não se tem.

Isso me deixou inicialmente emputecido por me sentir excluído de um convívio tão especial que tínhamos antes. Eu cheguei a pensar que as coisas estivessem devidamente sacramentadas e que não haveria mais o que fazer. Cheguei a "dar por perdida" essa amizade.

Mas felizmente a gente aprende na vida a ser um pouco mais analítico e, acima de tudo, paciente. Não se desesperar nem bancar a histérica. Com um pouco de dificuldade consegui entender que era normal que isso acontecesse, que para ele foi difícil ouvir as palavras duras que ouviu de mim e que eu preciso ter paciência e dar tempo ao tempo.

Então me aquietei e continuo a amizade com ele como se tudo estivesse bem, mesmo ciente de que nem tudo está como era antes. Mas vai voltar a ficar. E eu tô me esforçando pra isso.

Ao mesmo tempo... (e isso é muito interessante, hehe)... eu me dei conta de estar vivendo um processo semelhante com o Leandro, meu outro grande e melhor amigo. Só que aqui eu estava na posição inversa.

Eu e Leandro somos muito próximos há uns quase dez anos e ele tem um papel fundamental na minha vivência gay. Leandro foi o cara que me apresentou o maravilhoso mundo da sauna e me ajudou muito a viver minha sexualidade de forma muito mais livre e prazerosa (ao mesmo tempo em que ele também vivia a dele).

Só que de uns anos pra cá a gente foi gradualmente se distanciando. E isso é um pouco da vida... de repente começamos a ter interesses diferentes, um recusava os convites do outro, queríamos lugares e companhias diferentes. E nesses "interesses diferentes" entraram outros amigos, conhecidos e um namorado que vive em outra cidade.


Eu me senti preterido, escanteado. Fiquei furioso. E a minha reação foi também a da perda da espontaneidade. Passei a trata-lo de forma fria, meio que protocolar. Claro, ele percebeu isso, mas soube entender e esperar. Ficou na dele (como boa pessoa analisada que é, e como alguém que conhece muito bem as neuroses do amigo).

Nos últimos meses esse processo de distanciamento chegou ao fim, de forma natural e espontânea. Voltei a ter intimidade com ele, voltei a curtir e a buscar os momentos na companhia dele, recuperamos a liberdade um com o outro pra falar o que quiser, de quem quiser [e acredite, isso rende momentos hilários!].


Novamente a "vida" me ensinando que é preciso ter paciência com as coisas, que o tempo das coisas não é necessariamente o meu tempo de pessoa ansiosa e que quer tudo pra ontem. Mais um aprendizado que é bem vindo!


"Quando bons amigos brigam, o importante não é quem ganha/perde. O importante é quem perdoa, esquece e ainda quer ser amigo."

domingo, 23 de julho de 2017

À flor da pele

Ando tão à flor da pele
Qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar flor na janela me faz morrer

Ando tão à flor da pele
Meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele tem o fogo do juízo final

Um barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Um bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras, suicido!
(Zeca Baleiro, Flor da Pele)

Esses dias não tem sido fáceis pra mim.



Dizem que o primeiro passo pra resolver um problema é admiti-lo e eu preciso admitir meu estado de absoluta carência afetiva e que ele tem me feito sofrer um pouco além da média. 

Nas últimas semanas eu oscilei entre acreditar que a história com o Asher fosse de alguma forma possível e achar que não havia a menor possibilidade disso acontecer.

Acho que gastei energia desnecessária aqui, nos falamos algumas vezes por msg, eu me empolgava, as borboletas saíam do estômago novamente, mas aí na sequência vinha o silêncio (me incomodava o fato de sempre eu ter a iniciativa de puxar passo no whatsapp) e eu voltava a ficar triste. 

Cheguei a ensaiar pegar um avião e encontra-lo. Primeiro pensei: 'ok, você vai, será maravilhoso e depois? Vai voltar pro Brasil e ficar ainda pior. Vai sair do céu direto pro inferno.'

Depois pensei: 'eu preciso tirar isso a limpo, viver essa história, ainda que seja por um momento. Que seja eterno dentro deste curto momento.'

O fato é que eu o chamei no whatsapp para falar disso (já havíamos aventado essa possibilidade em conversas anteriores) e ele me disse que estava no trabalho e que me retornava em breve. 

Não retornou. [porra, que doído isso... eu não sei se é uma dificuldade em dizer 'não' à medida em que um avança e o outro não, mas deixar assim no vácuo é tão pior...]. De qualquer forma isso foi a deixa final pra eu entender que essa história acabou por hora. Você não responder uma msg - significa? Significa.

Ela TEM de acabar, pro meu próprio bem.

Nessas horas me alivia um pouco a angústia me comunicar por meio de músicas, sempre tem uma letra incrível. E lá fui eu pro facebook

Mandei a sofisticada Sunrise do Simply Red:

Maybe the next time I'll be yours and maybe you'll be mine
I don't know if it's even in your mind at all
It should be me, it could be me
Forever

Inesperadamente, em poucos minutos, ele curtiu meu vídeo e me retribuiu com Lust for Love da Lana del Rey. Para além do meu coração ter disparado, eu realmente não consegui entender muito porque ele estava me mandando essa música. 

O foda é que só consegui me reter na parte que fala:

My boyfriend´s back. And he´s coolest than ever.


Me doeu ler essa frase. Será que fiz uma análise míope e enviesada da letra? É uma canção linda, um pouco deprê [bom, é Lana del Rey haha], mas fala de um encontro, da possibilidade de influenciarmos os destinos das nossas vidas, de uma noite em que houve muita alegria (exatamente como aconteceu conosco).

Por hora eu decidi que não vou fazer nenhum momento. Não quero mais ter contato. Essa história vai ficar guardada em alguma gaveta bem profunda da minha alma... vai ficar lá - e ou aos poucos vai se decompor ou em algum momento vai renascer [eu posso estar muito pirado da cabeça, mas porra, será que encontros assim simplesmente acontecem pelo mero acaso?] 

Eu preciso zerar completamente minhas expectativas e esquecê-lo [sim, já tinha dito isso no post anterior mas não coloquei e prática - péssimo planejador eu, não?]. Vou ficar mal alguns dias, mas vai passar. SEMPRE passa.



O fato é que continuo procurando uma conexão mais intensa com alguém. Eu preciso admitir isso pra mim mesmo. Nessas últimas semanas saí com vários caras, fodas incríveis, e eu tenho me percebido na tentativa de estabelecer conexões com esses caras... a forma como beijo, minha dinâmica corporal, uma atitude mais carinhosa em encontros que a princípio dizem respeito a sexo, e nada mais. E isso tem me incomodado, porque com essa busca vem muita ansiedade, uma energia pesada - novamente me parece a velha história de procurar morangos numa plantação de laranjas.

Não sei muito o que fazer. Até apareceu um cara legal que conheci na balada, com quem daria pra pensar numa história mais séria, estável. Mas eu não senti o bastante que justificasse fazer esse movimento, e olha que eu tentei. Não vou também forçar uma situação só porque quero namorar, não é assim que as coisas funcionam.

Paciência não é das minhas maiores virtudes, mas nessas horas a gente percebe que não tem controle da situação. Talvez seja o caso de eu "simplesmente" estar aberto pra alguma história que venha a surgir [porque tem isso também... quantas vezes queremos algo e quando surge a oportunidade, nós não consideramos ou mesmo nem percebemos?].

Continuar focado no trabalho, cuidando do corpo e da mente, tentando manter a serenidade e controlando a ansiedade. E acima de tudo, SE ESQUECER daquilo que tem te feito mal e te trazido ansiedade. 

Ficar focado nisso, até que, como já dizia Cartola pela voz incrível de Ney:

Fim da tempestade.
O Sol nascerá.
Finda esta saudade, 
Hei de ter outro alguém para amar. 

E você, que leu este relato até aqui, só posso te agradecer por ter me ouvido. Obrigado! :)


PS: tem um texto super bacana na revista Vida Simples sobre como superar o fim de ciclos de vida. Muito bacana e reconfortante ler!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Vivências gays pelo streaming


Texto fresquinho [sem nenhum trocadilho, vai gente.... rs....] lá na nossa página cultural - Plataforma Obvious Magazine

Nos últimos meses fiz alguns registros e análises dos vários filmes de temática LGBT que assisti nas plataformas Netflix e Amazon e a boa notícia, eles estão se multiplicando cada vez mais...

E se você curtir algum que não esteja disponível para o Brasil, um arquivo torrent pode resolver seu problema. 

Eu me animei com a perspectiva de que tenhamos cada vez mais títulos disponíveis via streaming. Segue abaixo o link:

http://obviousmag.org/diarios_de_um_gay_paulistano/2017/vivencias-gays-pelo-streaming.html  

O texto traz vários spoilers, mas sinceramente, acho que não prejudica em nada que você veja os filmes. Até porque algumas das histórias são super complexas e admitem vários ângulos de análise. 

Acho incrível quando conseguimos ir além da visão superficial da história e avançar na análise, relacionar com a nossa própria vida... muito da riqueza do cinema reside aí.

E se quiserem sugerir novos títulos para futuros artigos, fiquem à vontade! Como disse ao final do texto, não fiz resenhas dos vários filmes lésbicos que também estão disponíveis, então se alguma moça quiser escrever, ficarei feliz em publicar aqui no blog e na nossa página no Face.

bjs!!!

HS Sampa

PS1: e por falar em mulheres, quase enfartei com a notícia de que teremos nova temporada de The L Word com todas aquelas sapas maravilhosas (e ao mesmo tempo tão diferentes nas suas personalidades). 


A personagem de Jennifer Beals sempre foi minha predileta [ok, há um forte viés aqui, pois gosto dela desde Flashdance...], seguida da maluca e muitas vezes irritante personagem de Mia Kirshner. Acho inclusive a série bem mais interessante do que Queer as Folk [ok, há aqui também um forte viés pois adoro as locações em L.A./Califórnia].


Pra quem não sabe The L Word foi exibida entre 2004 e 2009, retratando o cotidiano de um grupo [fervidíssimo] de amigas lésbicas e bissexuais vivendo em Los Angeles. Sem dúvida alguma foi um marco importantíssimo da afirmação da visibilidade LGBT na televisão norte-americana. 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Eu, carente? um contraponto...

Tenho dois lobos dentro de min, o do amor e o do prazer. Os dois lutam para ter o controle. Qual deles vai vencer? O que você alimentar. (de um perfil no Grindr).


Puts, como é difícil receber "críticas" de quem amamos e, consequentemente, de quem queremos que tenha uma boa visão sobre nós.

A gente quer sempre "estar bem na fita" com as pessoas e às vezes temos dificuldade em nos mostrarmos vulneráveis, inseguros, confusos. Sei que não é fácil, mas é importante termos com quem dividir medos, dúvidas e frustrações.

Eu tenho tentado fazer esse exercício, sempre que necessário, não me impondo obrigação de perfeição. E sempre procuro também acolher que se aproxima de mim com os mesmos sentimentos. 

E nesse contexto, nada como receber uma crítica construtiva, carinhosa e de alguém que sim, se preocupa com vc, ainda que não necessariamente entenda o seu jeito de ser (e discorde dele). 

Minha conversa com o Mário, no sábado de noite/momento pré-balada foi assim:

M: e aê... vai rolar TW à noite?
HS: então, por mim sim... vcs tão no clima?
M:TOP!
HS: tô precisando de um up, vcs me ajudam?
M: Como assim? vc tá a semana toda animado!!!
HS: Hj me bateu uma bad...ah, vc conhece seu eleitorado kkkkk
M: Bad de que? Dormiu na casa do boy... almoçou com amigo... balada com os amigos. Não foi bom o almoço?
HS: Almoço foi ótimo... mas depois fiz umas falas com outras pessoas que me deram outras visões... panorama no trabalho tá meio assustador. Bom... e tem o Asher. não queria, mas mexeu muito comigo e eu não consigo esquecê-lo.
M: queridão... vc ainda tá mto vulnerável.
HS: Eu tô... sentimentalmente tô sim... Só vou deixar de estar qdo vier uma história legal e minimamente estável...
M: Tá uma carência desenfreada da peste!!!
HS: Eh vontade de ter alguém mais perto. Que mal há nisso?
M: Isso é o problema... toda história que vc começar... já iniciará carregada... Vc precisa de leveza meu amigo. Esse alguém só virá se vc achar alguém pra dividir as coisas e não pra carrega la com suas expectativas.
HS: Como faço?
M: São horas de papo... mas em poucas palavras vc tem de estar desimpedido com suas expectativas
HS: Vc acha que sou muito intenso?
M: Senão toda história tomará proporção maior do que é e deixará vc frustrado.
HS: Good point!
M: Think about and lets play with the boys...They are here :) 

O Mário normalmente consegue ser mais frio e calculista nas análises, bem mais do que eu. E ele já vinha me "alertando" sobre esse meu padrão desde a história do André

Quando ele me falava sobre isso me incomodava bastante. Eu me sentia sendo autêntico nos meus sentimentos e correndo atrás daquilo que desejava e entendia ser o certo pra mim. Ainda o questionava porque atualmente pra ele é fácil se posicionar assim. Ele tem o boy dele, estão sempre juntos, saem juntos, aprontam juntos. Então ele tá suprido nas carências e necessidades dele. E olha que ele se recusa a chamar essa relação de namoro. Pode tortura-lo mas ele não vai pronunciar essa palavra proibida, hehe. 

Mas eu tentei abstrair isso e analisar se o que ele estava falando fazia algum sentido. E tenho certeza que ele disse de coração, sendo sincero e querendo ajudar ao perceber isso. 

E de fato, eu acho que tô chegando com uma expectativa muito grande nas histórias que surgem. E isso pode atrapalhar. Eu ando querendo tanto uma história que agregue sentimentos também (além do sexo e diversão) que corro o risco de projetar demais essa expectativa no outro e fazer isso rápido demais. E preciso, claro, me certificar se há uma sintonia semelhante da outra parte. Porque certamente essa energia que você coloca na história é captada e sentida pelo outro.


Sabe aquela música do Kid Abelha: 

Se a gente não fizesse tudo tão depressa,
Se não dissesse tudo tão depressa,
Se não tivesse exagerado a dose,
Podia ter vivido um grande amor.


E sim, por mais que eu não goste de admitir, eu ando muito carente... inclusive pelo fato de ter vivido momentos intensos e incríveis nos últimos tempos e claro, isso te faz desejar isso novamente, de forma mais constante. Em especial a história do Asher: foi tão intenso que me fez projetar coisas demais, grandes demais, definitivas demais. E as histórias de amor não se constroem assim... nem sei, aliás, se isso era amor ou só paixão, não teve tempo.  


Acho que no contexto, isso vem da minha própria personalidade. Quando tenho um objetivo e certeza de algo que quero, costumo ser intenso e buscar de todas as formas, às vezes até exageradamente (o mais complexo é ter certeza de que se quer algo... mas qdo essa certeza vez, daí ninguém me segura.). 

Nessas horas me vêm também a música do Chico, Futuros Amantes: Não se afobe não, que nada é pra já. [falar isso pra uma pessoa ansiosa é a morte! hahahaha]

Fico grato e feliz pelas palavras do Mário e mais vigilante quanto às próximas histórias. Um pouco de leveza vai me fazer bem. 

Isso não quer dizer que eu não possa me dar o direito de ser intenso e verdadeiro nos meus sentimentos. Mas posso fazer isso sem pesar no outro, sabendo que as histórias de amor e paixão não têm absolutamente nenhuma garantia e que é preciso aprender a navegar nesses mares inconstantes [ora calmos, ora agitados] sem naufragar.  


Pra frente, são duas questões "a ver":

1 - vou conseguir segurar minha ansiedade e voracidade e 'aplicar' essa teoria? Ou na hora em que surgir outra dessas histórias eu vou mandar tudo à merda e me jogar de cabeça?

2 - será que voltei mesmo a acreditar numa visão de amor romântico? [logo eu, discípulo da Regina Navarro Lins?]