quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Danoninhos

[Esse texto deveria ter sido finalizado em julho, mas não consegui... segue então agora, em setembro, o relato daquela semana movimentadíssima...]




E essa semana minhas FLEX features foram testadas ao máximo. Acho que vocês já devem ter percebido que o fluxo nos aplicativos de pegação varia bastante. Às vezes vc faz um puta esforço pra não dar em nada... já em outros momentos, a oferta é tanta que vc quase não dá conta. 

Enfim, é saber gerenciar a ansiedade pros momentos de vacas magras e a saúde física pros momentos de abundância. Essa foi uma semana do tipo "que abundância meu irmão!" - uma safra rara e deliciosa de danoninhos!

Começou num sábado, com o Gerson, um jornalista recém chegado de Brasília que me abordou no app, praticamente no cio, desesperado por uma foda.

Coincidentemente eu havia acabado de chegar da academia, e ele também. Ele tava no apto dele batendo uma, quase gozando, quando emendamos o papo. Eu tava num puta tesão tbém e a conversa fluiu muito rapidamente. Trocamos fotos, curtimos e eu falei pra ele ir lá pro meu apto.

O tesão do cara era tanto que nem houve muito daquela enrolação normal que há nos apps. Dez minutos depois tocava meu interfone.

Gérson, 25, é um loirinho muito delícia, corpo lisinho, mesma altura que eu, chegou e já foi tirando minha camisa e me beijando como se o mundo fosse acabar dali  5 minutos.

A gente trepou no sofá da sala mesmo, nos chupamos, ele começou me comendo, com força e num ritmo cadente. Na sequência, eu meti nele e acho que ele tava mesmo era a fim de ser fudido, pq nessa hora ele começou a gemer ainda mais e que bom, dava pra ver que ele tava curtindo muito. Ele ainda me comeu mais uma vez depois e finalizamos os dois gozando na mão mesmo, pq a gente já não aguentava mais esperar, hehehe...

Terminamos os dois jogados no sofá, molhados de suor e felizes por ter aliviado o tesão daquela forma tão boa e inesperada. 

Na terça à noite, após a academia e o jantar, eu tava lá no sofá de bobeira e entediado... daí me chamou no app o Mateus, um estudante de química de Fortaleza que tava num hostel duas ruas abaixo da minha. 


Engatamos o papo, ele é um geek bem charmosinho, tímido, fala mansa... Mas mesmo tímido, a conversa fluiu bem e ele topou dar um pulo lá no apto. 

Mateus faz aquele tipo mais magrelo, espichado, lisinho também...22 anos. E, diferente do Gerson, nossa foda começou tranquilamente, sem aquela sofrência e pressa... beijamos mais, fui tirando a roupa dele com mais calma... e começamos a curtir ali no sofá mesmo... 

Talvez por ser mais novinho e não tão experiente, ele deixou que eu conduzisse todo o processo... e eu, sendo ativo ou passivo, gosto de conduzir e sei fazer isso bem. Ele já tinha falado no app que curtia mais ser passivo e já tinha ficado claro qual papel me caberia.

E olha, surpreendentemente, essa foi uma das fodas onde mais curti ser ativo... metemos muito, por muito tempo, em várias posições, e mesmo ele sendo uns 20 cms mais alto do que eu, isso não foi um problema (eu sempre fico meio inseguro a princípio quando meto em caras mais altos). 

Nosso encaixe foi perfeito! Mesmo quando ele veio por cima, e cavalgou, curtindo todo meu pau dentro dele... Ele gozou muito gostoso, e eu gozei pela 2a vez, na sequência. 

O trio de petit suisses ficaria completo na 5a feira, com outra foda agendada via app.


Breno, estudante de medicina,  23 anos, recém descobrindo as picardias do sexo gay.

O Breno é um metedorzinho bem marrento. Todo machinho. Sexo com homens é recente pra ele, nem um ano desde a 1a vez e ele ainda sai com meninas também.

A gente se deu bem, acho que deixei ele tranquilo, porque ainda é um garoto cheio de encanações e receios (como eu também já fui um dia). Nossa foda foi ótima, um encaixe muito tesão (apesar de que ele poderia ter sido um pouco mais cuidadoso na hora de meter... mas isso era previsível também hehe e esses pequenos contratempos a gente vai administrando e corrigindo) e eu realmente quis vê-lo de novo e daí nos encontramos mais duas vezes, na sexta e no domingo.

Duas coisas me chamaram a atenção: o beijo dele é fechado, um pouco travado - e eu, que sou beijoqueiro, me incomodei um pouco com isso, pois queria ter curtido e aproveitado o beijo mais.

A outra coisa foi que, no encontro de sexta, a gente começou a trepar e ele gozou super rápido... eu fiquei nitidamente incomodado e ele percebeu. Daí expliquei pra ele que era importante considerar o tesão do parceiro, que não é só chegar ali, meter, gozar e virar pro lado. E aí percebi que talvez ele transe assim com meninas e que repita o mesmo padrão com os meninos.

Falei que no sexo gay rolava um pouco mais de reciprocidade (apesar de meu amigo Leandro discordar veementemente dessa tese). O Breno ainda não tinha feito sexo oral em nenhum cara, daí eu disse que assim era bem difícil [e detalhe, os melhores orais que já ganhei vieram de ativos muito seguros na sua sexualidade... continuem assim rapazes!]. Fazer passivo então... estava fora dos planos em absoluto.

O legal desse dia é que eu consegui ter jogo de cintura pra administrar a situação. Meu primeiro impulso foi encerrar o encontro ali, puto da vida q eu tava, e mandar ele embora pra casa (o combinado inicialmente era de que ele dormisse comigo). Ainda bem que eu consegui verbalizar o meu incômodo, nós conversamos numa boa, ele até se ressentiu no começo, puxando a culpa pra si, mas depois entendeu que minha crítica era totalmente construtiva e que havia formas de se remediar o acontecido.

Uns minutos depois, passado o mal estar, engatamos uma segunda foda e aí, ele se focou em mim e em garantir que eu também gozasse. Impasse resolvido, de forma adulta e com um bônus!

Mas o bom do Breno é que ele é um garoto de boa índole, super esforçado na facul e, vendo algumas fotos que ele me mostrou, ficou nítido pra mim que acessar a sexualidade reprimida dele o tornou mais homem, mais sexy, mais viril (as fotos de começo da facul e as de agora são muito nítidas em mostrar essa mudança dele). Sinal que o garoto tá indo no caminho certo e tem um futuro muito promisso pela frente!

O mais interessante de toda essa maratona foi ver como cada um é bem diferente dos demais.

Confesso que o Breno levou o Oscar, hehehe...

Ele tem uma inocência de quem tá começando que me cativou. Conhece quase nada do mundo gay. É espontâneo, sem aquele monte de amarras e máscaras que nós vamos adquirindo; eu fiquei inclusive muito incomodado em me dar conta das inúmeras distorções perversas construídas no mundo gay (e que eu, de certa forma, ajudo a reproduzir).

Foi bom também porque, definitivamente, vi que sei lidar bem com moleques marrentos, sem me intimidar (e isso até me excita um pouco). 

Uma hora estávamos conversando e ele começou a me elogiar: "Huummm... é bonito, gosta de cozinhar, bom de cama. É pra casar."

Eu, sem titubear, e com muita segurança, respondi: "Sou mesmo." (depois fiquei pensando em como isso representa uma mudança pra mim, pois há tempos atrás jamais responderia dessa forma).

Nós tivemos uma troca boa de carinho, coisa que já não rolou a princípio com o Gérson. E eu atualmente tenho valorizado mais isso.

O Mateus, por sua vez, achei meio paradão, meio quietão, e isso não faz muito meu tipo, gosto de alguém que tenha um perfil mais interativo, que não fique só lá meio que esperando vc fazer o trabalho todo... 

Mas claro, se precisar, a gente faz o trabalho toda com satisfação! Afinal:




E novamente, gente muito interessante vai passando pelo seu caminho...

No mais:

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Feriado na função

Legal or illegal, be smart. 
(conselho de um guia numa pré pool party em algum lugar do planeta)


Sou fã da The Week e acho incrível o trabalho empresarial do André Almada, um cara de visão que colocou a casa no circuito internacional, não devendo nada a outras cidades onde a vida gay é incrível, como Madrid, Londres, Nova Iorque ou Barcelona. Os gringos inclusive, quando pisam na TW ficam impressionados e surtados com toda a infra e toda a saliência dos brasileiros, hehehe... ou vocês acham que essa pegação rola assim, fácil, em outros lugares? Garanto que não.

Apesar de um deslize ou outro na organização das festas, há dois momentos especialíssimos no ano, em que os viados do país inteiro fazem romaria a SP. Na semana da Parada (junho) e no 7 de setembro (aniversário da TW). Podemos, nesses dois momentos, esperar festas incríveis, atrações internacionais e um fluxo de gente bonita que te faz achar que o mundo é todo gay.

Claro que eu e meus amigos fomos aproveitar.

A TW já trouxe em outros momentos DJs israelenses e eu passei a ouvir mais o trabalho deles... agora estou completamente apaixonado e empolgado.

Na 5a feira tivemos Sagi Kariv - o príncipe de Tel Aviv.


AAAHHHH, eu tenho uma queda por homens do oriente médio, árabes e judeus... acho realmente que são lindos! O Sagi faz uma linha slim que eu piro... a cor da pele, o rosto fino... my #candyboy!

A 5a foi especial ainda porque tivemos o 'batizado' da Bia, amiga do Mário. Ela é sapa e estava indo pela primeira vez a uma festa destas e claro, ia tomar todos os aditivos que normalmente tomamos. 

Quando a bala bateu, no começo do show do Sagi, ela ficou muito à vontade e curtindo muito tudo o que estava acontecendo. Tanto que tirou a blusa e ficou só de soutien.


Naquele momento eu e meus amigos já tínhamos encontrado meu casal delicioso Laio e Roberto. O Laio, que é super despachado, foi e deu um beijo de língua na Bia. Eu olhei, ri, e não me fiz de rogado, peguei ele e ela e demos um beijo a três. 

O Mário, sempre careta, hehehe, foi lá brincando e acabou com nossa festa... mas eu fiquei abraçado com a Bia, meio que curtindo com ela, inclusive pelo fato de ela ter dado essa abertura (pra mim ela, se ficasse com alguém ali, seria com uma menina).


Os meninos saíram pra andar e nós ficamos ali, nos abraçando, trocando energia, carinho e eu expliquei isso pra ela, que a bala dava essa sensação, que deixava a gente mais amoroso, e que não necessariamente era algo sexual.

Ela concordou e disse que gostava muito dessa troca de carinho. E aí me falou:

"Agora eu entendo por que vcs tiram a camisa na balada"

Eu dei muita risada. Era realmente incrível que uma mulher lésbica (e super tímida no dia a dia) estivesse ali com a gente, num grupo de uns 6 gays e estivesse vivenciando tudo isso conosco. 

Essa mesma troca de carinho (e de tesão também, claro) eu tive novamente com o Laio e Roberto, eles estavam muito amorosos e nós nos curtimos. A umas tantas Laio me disse: "saudade da tua cama". [deve vir repeteco por aí nos próximos dias, hehe]

Uma dose de Gi no começo da festa me abriu a empolgação, até que chegou o show do Sagi e já era momento da bala, que bateu maravilhosamente bem, mas durou menos do que eu gostaria. O show não foi tão bom quanto eu esperava, mas não posso reclamar. Ali estavam presentes todas as coisas de que gosto.

Na sexta fiquei quietinho em casa, descansando, porque queria garantir toda a energia para o sábado, dia do outro DJ israelense, Offer Nissim.

Essas festas são pesadas, usamos muitos aditivos e ao longo do tempo eu venho adquirindo mais parcimônia para não tentar passar do meu limite, e assim, aproveitar ao máximo. Eu já sabia que 3 noites nesse esquema seriam muito pra mim. Na semana da Parada eu já tinha perdido a noite de sábado pq vim numa sequência de festas na 5a e 6a que me deixaram derrubado, gripado e minha resistência baixou tanto, que pela 1a vez, apareceu um pequenino herpes embaixo do lábio (felizmente curado em pouco tempo e nunca mais retornado).

Voltemos então a Offer Nissim - a rainha de Tel Aviv!


Quando ouvi Offer Nissim pela 1a vez, achei que era a pessoa que cantava a música. E achei que fosse uma mulher. Um tempo depois Mario me disse que era um homem e eu levei muito tempo pra refazer a equação por causa do aspecto andrógino dele (que, após certo estranhamento no começo, passei a achar bastante interessante). 


Eu sempre detestei música eletrônica, mas talvez fossem aquelas músicas mais pesadas, sequências instrumentais intermináveis. Agora quando você pega ótimas cantoras, melodias agradáveis, letras interessantes e, melhor, faz remixes de sucessos, aí tudo muda de figura. Offer faz tudo isso de forma majestosa! [veja aqui o meu setlist predileto]

E ainda traz na bagagem duas ótimas cantoras, também israelenses: Maya Simantov e Ania Bukstein. Pra malhar, não tem set lists melhores.



Offer se apresentou no sábado. Minha colega, o que foi essa noite...

Nos aquecemos com Gi e eu encontrei Ígor, meu amigo fervidíssimo de Brasília e toda sua turma... Rapaz... o negócio ali parece um buraco negro, vc entra e não consegue sair... a galera muito animada... eu beijei tanta gente, na sequência, que chegou uma hora que até me perdi... eu ia e voltava, tinha gente que chegava, gente que saía da roda, o Gi batendo na potência máxima, e uma hora eu realmente me perdi um pouco.

Nessa hora falei pro Ígor: 'me leva pra tomar uma coca cola.' Santo Ígor, me tirou dali no momento exato... consegui dar uma parada, uma respirada, ingerir uma boa dose de açúcar e me situar.

Daí veio uma saudade avassaladora do Asher e eu não aguentei, comecei a chorar copiosamente. Tudo ali me lembrava ele e tudo o que eu queria era que ele estivesse ali comigo, que a gente pudesse estar em contato. O Gi deixa minhas emoções muito espontâneas, muito à flor da pele... o Ígor foi super sensível (como sempre é), me acolheu, me ouviu e me deu alguns conselhos.

Eu me recobrei rapidamente e voltamos ao show... pensa que acabou? Não...

Eu comecei a andar, meio que caçando mesmo, vendo se via alguém interessante que pudesse trocar energias (e fluídos). Eis que uma hora troco olhares com um cara bem interessante, branquinho, da minha altura... parei ao lado dele, a troca de olhares continuou... até que uma hora ele chegou em mim e disse: 'meu namorado é esse aqui da frente, você quer beijar a gente?'

Eu dei uma broxada, pq queria ficar só com ele... disse um tímido: "ah... acho que não"... mas também não saí dali, continuei no mesmo lugar... Ainda bem que ele não se fez de rogado, puxou o namorado e os dois me cercaram, começaram a dançar comigo no meio e aí eu cedi... comecei a beijar os dois, virava pra um, depois virava pro outro (no menàge, acabei sendo o hambúrguer entre duas deliciosas fatias de pão pullman).


E não é que a coisa foi ficando gostosa, interessante... a liga começou a se formar, o tesão foi perpassando e eu fui me permitindo também curtir o outro cara... (e no final tava curtindo mais ele do que o 1o cara, pelo qual tinha parado naquele lugar).

Uma coisa bacana aqui é que eu me permiti e deixei que eles ficassem com a mão no meu pau, embaixo da cueca... às vezes me dava timidez, mas logo no começo um deles colocou a mão lá, gostou, riu dizendo que ele era babão (e é, de fato) e ao longo do tempo, vira e mexe eles colocavam a mão no meu pau e ficavam lá... às vezes até davam uma batida de leve... 

Eu fiz o mesmo com eles e foi muito tesão...

Vocês sabem que eu adoro casais... adoro mesmo, curto esse lance de ficar a 3. E esse casal me deu ali exatamente o que eu tava precisando: um mix de pegação e carinho... nos pegamos forte, mas também nos abraçamos, nos acariciamos, mão no rosto, na cabeça. Fiquei ali com eles um bom tempo nessa vibe deliciosa. Nós trocamos telefone e combinamos de em breve nos encontrar na casa deles para uma tórrida noite de sexo. 

Pra fechar a noite, um negro lindo, chamado Marcos, cruzou meu caminho e parou... pense num corpo talhado, e ao mesmo tempo, peludo... ele me perguntou: 'e aí, gosta de uma melanina?' eu ri e disse um "sim" bem convincente, pra ele não ter dúvida. Foi uma ficada deliciosa, porém rápida, pois já estava ali na função há bastante tempo e teu corpo uma hora te lembra disso.


Eu acabei nem tomando bala no sábado, e me ressinto de ter tomado uma dose de Gi a mais da que deveria. Acabei não curtindo o show do Offer Nissim tanto quanto gostaria, foi realmente uma pena... Mas no balanço geral, o feriado foi incrível, intenso, vivenciado no limite com todos os elementos que gosto.

E depois de 11 horas de diversão com os amigos, pegação forte, química e a melhor música eletrônica do planeta, eis que volto pra casa... tomo um banho, como algo leve e me jogo na cama... protetores de ouvido, um comprimido de frontal e o máximo de escuridão possível.

Fiquei meio grogue no outro dia e na 2a e 3a também... senti o baque dessa maratona no meu corpo e na minha disposição pro trabalho e pra malhação. Ainda não me recuperei totalmente.

Então, vou terminar o post fazendo essa reflexão: quando falo aqui de aditivos e de pegação, não quero passar uma imagem romantizada disso... prefiro que quem ler, leia numa perspectiva de que aqui também temos ônus e bônus (como em qualquer outra área da nossa vida). 

Pegar geral é ótimo, principalmente pra quem, como eu, adora beijar.  As experiências com químicos são também incríveis, mas a fronteira entre o bem estar e a colocação pode ser tênue... é preciso aprender como transitar nessa fronteira de maneira menos danosa e menos perigosa... no sábado, uma hora eu realmente senti que tava perdendo o controle da situação... na 5a, outro amigo meu passou um pouco mal por ter tomado dois tiros de key quase que na sequência... e que bom que os amigos cuidam uns dos outros... há uma solidariedade ali de todos que estão no mesmo bote. Isso faz toda a diferença.

Então continuo batendo nessa tecla que de podemos (e devemos) aproveitar os prazeres da vida. Minha escolha tem sido essa nos últimos anos. Mas que possamos tentar agir com um mínimo de parcimônia e sabendo dos riscos e dos ônus que existem. Assim, vc faz escolhas com maior consciência das perdas e ganhos que terá e analisa até onde está disposto a ir.

Basicamente, isso é ser adulto. O resto, é hipocrisia e/ou infantilidade. 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

[Más] influências?

Acho que aos poucos o Mário tá recuperando a espontaneidade comigo e isso é algo que me deixa muito feliz!

Novamente a vida me mostrando, empiricamente, que vale a pena ter um pouco de paciência, dar tempo ao tempo pra algumas coisas se ajeitarem. 

Mário e eu compartilhamos alguns valores na vida em relação, digamos, ao hedonismo e à busca do prazer mundano. Descobrimos isso juntos inclusive, nos últimos anos, e ele foi bem mais a fundo do que eu inclusive.


E essas preferências vem sendo colocadas aos nossos outros amigos de forma cada vez mais explícita. Sinto que isso assusta e/ou choca alguns, seja porque contrasta radicalmente com outro conjunto de valores, seja porque parece algo desconhecido, em relação ao qual as pessoas já tem julgamentos pré concebidos. 

Tivemos duas conversas bem engraçadas pelo whatsapp essa semana que ilustram um pouco isso.

Na 1a, falávamos sobre uma futura viagem em grupo que estamos organizando. Um dos nossos amigos namora e é meio inseguro, tende a controlar o namorado e claro, não compartilha das nossas diversões [confesso que esse comportamento meio errático me irrita bastante]:

HS: ah, ontem falei pro Bruno confirmar ctgo a viagem o quanto antes, pra não ficar de fora.
M: ahhh sim... ele falou comigo. E ontem o Vítor também confirmou que não vai. Claro que a culpa é do Adriano [namorado dele]
HS: hahahaha esse Vítor viu... mto enrolado... dessa vez não vai ter chororô na véspera.
M: ele não assume as indecisões dele.
HS: Pois é... interessante observar a dinâmica dele.
M: Além de ter aê um certo receio de que sejamos má influência pro Adriano... Eu adoro ser uma má influência... hehe
HS: Mário, vc jura que ele tem esse medo?!
M: eu sinto que sim... que o Vítor se sente incomodado e tenso quando o Adriano está junto da gente... fato que não acontece quando ele está sozinho conosco.
HS: que coisa... quer deixar o menino numa redoma. Como se isso fosse alguma garantia kkkk
M: Insegurança.

Como diria Mauro Halfeld, da CBN- 'meu comentário':

[e pior que hoje, sem querer, entrei no insta do Adriano e, pro meu espanto, não tem uma fotinha do Vitor lá... uma sequer... o psicólogo Ronnie Von já nos alertava. Significa? Significa...]

Na sequência, emendamos a discussão sobre outro amigo nosso, Otávio, cujo namorado foi transferido pela empresa para uma cidade bem distante e vai ficar lá por seis longos meses.

HS: e por falar em má companhia... o namorado do Otávio viaja nessa segunda próxima. Podíamos pensar em algo pra outubro, leva-lo numa das festas conosco... Mário, imagina esse menino se atracando com o Laio, por exemplo...
M: ué, vamos tentar levar ele já nessas festas de setembro!!!
HS: acho difícil. Ele provavelmente vai viajar. Não vai ficar sozinho aqui.
M: huuummm... verdade.
HS: ideal seria um fds comum, pq aqui eh mais garantido ele estar...
M: bem, pelo menos pro interior ele não deve ir mais.
HS: kkkkkk isso parece novela do Gilberto Braga hahahaha
M: kkkkk somos a Flora e o Otávio a Donatella?
HS: essa eh do João Emanuel Carneiro hahahaha. Estamos mais pra Maria de Fátima e Odete Roitman e ele pra Raquel Acioly em Vale Tudo hahahaha
M: kkkkkkkkkkk
HS: ai... me senti vilão agora kkkkkk
M: vamos imaginar que somos a Tieta levando Tonha pra sunpaulo.
HS: bicha, a senhora lacra! a senhora tomba!



É intrigante porque o Otávio ama de paixão o namorado, estão juntos há bastante tempo, ele super se dedica à relação (até mais do que o outro). Só que isso não impede o bichinho de morrer de tesão pelos caras bonitos que desfilam pela academia dele (eu brinco com Otávio que ele passou duas vezes na fila da testosterona, pq é impressionante a disposição dele haha).

Eu e o Mário gostaríamos muito que ele conhecesse e experimentasse 'o outro lado da força', a gente acha que ele ia pirar muito e curtir demais (assim como aconteceu conosco). Vamos fazer algumas tentativas, alguns convites mais incisivos, mas já de antemão acho que as chances são poucas.

Acho que ele se sentiria mal fazendo isso e é super careta quanto às químicas. Ainda que a gente tenha praticamente certeza que o namorado vai aprontar bastante longe do olhar [mais que] vigilante do Otávio - cá entre nós, acho que era tudo o que ele mais queria... mas aê já é um pouco de maldade minha...e ciúme do amigo também... 

sábado, 5 de agosto de 2017

DSTs em alta - parte II

As notícias do post anterior sobre DSTs não foram apenas 'notícias' pra mim. 

Há duas semanas o Mário deu um susto na gente. Passou um final de semana prostrado, cansado... E na 2ª feira foi pro hospital e logo diagnosticaram hepatite A. Eu fui pra lá ficar com ele e não é nada agradável ver um amigo na cama de hospital doente. A infecção veio bem severa nos primeiros dias mas depois se estabilizou e agora está tudo bem, ele já está de alta. Mas acredito que esse susto tá fazendo ele repensar algumas coisas na vida (se bem que o bicho é teimoso que só vendo kkkkk).



Há uns dias outro amigo do interior, Henrique, me ligou aflito dizendo que havia feito sexo oral em um cara que ele desconfiava ser HIV+. O cara não gozou, não houve contato com esperma, mas ainda assim, a prática concentra certo risco. E lá fui eu correndo buscar informações com uma amiga do Ministério da Saúde. E acabei aprendendo também.

Existem dois tipos de estratégias de prevenção para pessoas que entram em contato com o vírus HIV. Elas são nominadas pelas siglas 'PEP' e 'PrEP'.

PEP é a profilaxia pós-exposição, por exemplo, quando o preservativo se rompe numa transa ou quando profissionais de saúde tem algum acidente de trabalho, por exemplo, um corte ou uma picada de agulha. Na dúvida, receita-se uma combinação potente de antiretrovirais que deve ser tomada até 72 horas após o ocorrido (tem de ser até esse prazo, senão não faz efeito) e durante os próximos 28 dias. 


Não é toda a prática desprotegida que tem essa recomendação, no caso de sexo oral sem ejaculação inclusive, mas eu não sei exatamente o que meu amigo disse no serviço de saúde, fato é que ele conseguiu a medicação e está tomando (não é fácil, há alguns efeitos colaterais como enjoo e diarreia nos 1os dias, mas é comprovadamente eficaz em reduzir muito as chances de infecção, caso a outra pessoa tenha o HIV).

PrEP é a profilaxia pré-exposição e recentemente foi incorporada ao SUS. Aqui também toma-se uma combinação de antiretrovirais (menos potente do que na PEP) diariamente, como forma de dar ao organismo uma proteção prévia caso ele se depare com alguma situação onde venha a ter contato com o vírus. Pras pessoas que tem dificuldade em usar preservativo em todas as relações sexuais, a PREP vem como uma estratégia adicional de prevenção. Assim como no caso da PEP, não é indicada pra todos os casos, por isso, uma ida ao serviço de saúde ou ao seu infectologista continua sendo primordal! 


Vamos fechar o assunto com duas ótimas notícias:

A 1ª é esta que eu disse acima: a PrEP chegou ao SUS! Claro, ainda vai levar um tempo para estar totalmente implementada e disponível nos serviços de saúde, mas a experiência internacional já mostra claramente que é uma estratégia de prevenção eficaz e que chega pra se juntar às demais estratégias que já temos. 

A 2ª boa notícia se refere à divulgação de pesquisas com casais sorodiscordantes, mostrando que portadores do HIV com adesão ao tratamento e carga viral indetectável não transmitem o vírusIsso é fantástico [e agora há evidências robustas a confirmar a hipótese] e contribui para tirar a alta carga de estigma imposta às pessoas soropositivas. 

Mostra também que é possível levar uma vida praticamente normal e ter um parceiro, ainda que sorodiscordante, sem que isso signifique risco de infecção - um fantasma que sempre assombra os portadores, pois muitos acham que por terem adquirido o vírus jamais terão vida amorosa novamente ou que só poderão se relacionar com outras pessoas HIV+.

O desafio agora é espalhar essa mensagem, pois é uma informação ainda pouco difundida na população, como mostrou uma pesquisa recente. A desinformação ainda faz com que muitos não considerem a possibilidade de relacionar com uma pessoa portadora do HIV, quando, de novo, não há risco de contágio se o tratamento estiver sendo seguido corretamente e a carga viral estiver indetectável. 

Vejam que, do ponto de vista de saúde pública, o "problema" não reside nas pessoas HIV+, como muitas vezes o senso comum coloca. Estes estão diagnosticados e em tratamento. O grande vetor de transmissão está colocado nas pessoas que não sabem o seu status sorológico e mantém relações sexuais desprotegidas. Se alguém é portador do vírus HIV mas não sabe disso, não estará em tratamento e sua carga viral muito provavelmente estará elevada a ponto de facilmente transmitir o vírus. É deste cenário que surgem os novos casos. Portanto, continua sendo importantíssimo a prática regular de testagem.



E a testagem está cada vez mais fácil! Os testes hoje já são feitos por meio da saliva (não em todos os lugares, mas a tendência é essa). Antes vc tinha de coletar sangue na veia. Depois surgiu o teste rápido que só precisava de um furinho no dedo e uma gotinha de sangue. E atualmente já é utilizado um o teste rápido no qual vc usa um tipo de cotonete para coletar saliva.

E desde junho desse ano já está disponível nas farmácias um autoteste para detecção do HIV (lembrando que há um período de 30 dias para que o teste consiga detectar a presença do vírus no organismo, a chamada janela imunológica. Antes disso, o teste não terá utilidade). O preço é salgado, mas ainda assim, paga a angústia da dúvida.


Aproveitei o dia de hoje e fui renovar meus testes. HIV, Sífilis, Hepatites B e C. Todos não-reagentes! Por mais que me proteja usando camisinha, ainda assim também me sinto um pouco vulnerável por ter múltiplos parceiros (e gostar disso). Sempre acho que em algum momento terei um encontro marcado com a sra dona Sífilis. Felizmente não foi dessa vez!

O aconselhador do Centro de Testagem, que virou meu amigo, me disse hoje: é a "regra": um pouco de seletividade.

De forma semelhante, achei bacana o que um médico infecto disse num de seus vários textos do blog que sigo, o Universo AA.
E o que fazer frente a isso tudo? O melhor é fazer o que sempre recomendo em relação a qualquer DST: ficar esperto e pensar/falar/agir sobre o assunto, e não ignorar e esperar que algum desfecho ruim aconteça.
O que dá pra aprender disso tudo: precisamos gerenciar nossas vulnerabilidades. Este é o ponto! Aprender a administrar e lidar com riscos. E pra isso, o primeiro passo é ter ciência de quais riscos corremos e adotar estratégias para evita-los ou remediá-los (quando for possível). Cito novamente o médico do texto anterior:
A camisinha é sempre a melhor maneira de [se] proteger de qualquer DST, mas se ela não está sendo usada, conversar com os parceiros sobre suas rotinas de rastreamento de DSTs e manter-se sempre em dia com os seus próprios exames de rotina é algo fundamental para qualquer pessoa que pratique sexo oral desprotegido com parceiros casuais. Dessa maneira, por mais que acabe pegando alguma dessas outras DSTs, o diagnóstico e o tratamento adequados poderão evitar tanto o desenvolvimento de complicações da doença quanto o ciclo de transmissão para novos parceiros.
Algumas dicas simples e fáceis de seguir:
  • Tenha uma rotina de testagem regular em você e no seu parceiro: a testagem está disponível nos serviços de saúde ou nos laboratórios, via convênio/plano de saúde. 
  • Informe-se com um profissional de saúde sobre sinais e sintomas causados pelas DSTs e fique atento em seu corpo e, na medida do possível, no de seu(s) parceiro(s) também (lembrando que às vezes DSTs podem ser assintomáticas). 
  • Mantenha-se em dia com a vacinação: hepatite B e agora também a hepatite A. Avalie com seu médico a possibilidade de também tomar a vacina tetravalente contra os tipos mais agressivos de HPV.
  • Saiba onde e como acessar a PEP, em caso de um descuido e avalie com seu médico ou profissional do serviço de saúde se vale a pena adotar a PrEP como estratégia adicional de prevenção.
  • Em caso de diagnóstico de uma DST, é fundamental testar e tratar os parceiros também. Aqui vale inclusive um lembrete ético: por mais difícil que seja, é importante avisar seu(s) parceiro(s) mais recentes do ocorrido. 
Por fim, se por acaso você se descobrir HIV+, por mais difícil que possa ser, saiba que não é o fim de tudo. O tratamento está disponibilizado na rede pública de saúde, a adesão é bem mais fácil hoje em dia e o conhecimento científico avançou muito a ponto de permitir às pessoas uma boa qualidade de vida. Durante as pesquisas para escrever este texto descobri o blog de um jovem soropositivo e gostei bastante das informações lá disponíveis bem como da rede de apoio criada a partir dessa iniciativa. Vale a pena conferir!

As pesquisas seguem rumo a facilitar ainda mais a adesão (fala-se já em uma injeção mensal que substituiria as pílulas diárias) e também rumo a estratégias que consigam neutralizar o vírus no organismo (sem a necessidade do uso contínuo de medicamentos). Acredito que em poucos anos teremos boas novidades nesse campo!

Coincidentemente, essa semana assisti a um filme australiano na netflix chamado Holding the  man. Baseado em uma história real, conta a vida de dois jovens que ficaram juntos por 15 anos, desde o ensino médio. É uma linda história que mostra também as dificuldades enfrentadas para se viver esse amor (entre as dificuldades, a maior de todas elas, à epoca, o HIV).  

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

DSTs em alta - parte I

E chegou Agosto... alguns leitores devem estar achando que o blog anda numa fase meio down e reflexiva.

De fato...

Eu tenho andado mais na concha, pensando muito no que quero pra mim daqui em diante, avaliando se ainda quero (e topo) calçar os mesmos calçados que venho calçando há anos. É angustiante, mas tento imaginar que são nesses momentos de crise e incerteza que criamos as condições para alçar novos vôos.

De qualquer forma, prometo que em breve teremos mais histórias picantes, porque mesmo nos momentos difíceis sobra espaço pra um pouco de putaria, luxúria e prazer.

Só que antes disso, quero falar um pouco sobre esse fantasma que, infelizmente, insiste em nos rondar (e vai continuar rondando, não se iludam). Quem sabe nossos netos consigam viver num mundo livre de DSTs... Porque nós; definitivamente não vamos. Já havia feito uma 1ª reflexão aqui sobre o HPV, e senti vontade de falar um pouco mais sobre outras DSTs. 


Uma ressalva importante é necessária: quero deixar claro que não sou profissional de saúde, então esta é uma reflexão de uma pessoa leiga que não deve ser tomada por ninguém como orientação. 

O Brasil possui, ao menos nos grandes centros urbanos e cidades médias, diversos serviços especializados de testagem, aconselhamento, tratamento e assistência para as diversas DSTs, então quem tiver qualquer dúvida, procure estes serviços e fale com os profissionais. Ou marque uma consulta com seu médico de confiança. 

Nas últimas semanas tivemos algumas notícias que gostaria de analisar brevemente.

Existe já há alguns anos uma certa sensação de alívio e relax pelos importantíssimos avanços no tratamento do HIV\aids, mas galera, o assunto continua sério e por mais que a gente queira, não dá pra baixar a guada. Ainda que haja tratamento ou cura, as DST tem consequências sérias e causam danos ao nosso corpo (e aos corpos dos nossos parceiros), além de facilitarem a infeção pelo HIV.

Sim, é claro que transar sem capa é melhor, o atrito pele com pele é delicioso, trocar secreções é uma forma incrível de intimidade e prazer. Mas infelizmente algumas limitações e cuidados [ainda] são necessários em nome da saúde, especialmente a longo prazo. 

Já havia comentado em algum dos posts que o Brasil vive uma epidemia de sífilis, que pode ser explicada pela queda nas taxas de uso do preservativo combinado com a prática de múltiplos parceiros (aspecto esse que parece ter se ampliado nos últimos anos com o avanço dos novos aplicativos on line de pegação e paquera). 

Na mesma esteira, as autoridades médicas tem mostrado crescente preocupação com a resistência da bactéria causadora da gonorréia aos antibióticos, a ponto de já se falar em uma super-bactéria. Os médicos dizem que a prática de sexo oral sem preservativo tem ajudado a disseminar a doença. A doença pode infectar genitais, reto e a garganta e é nessa última que reside a preocupação (e onde a resistência a antibióticos foi constatada).

Sim, nos dois casos, existe transmissão também pela via oral. Sexo oral também é sexo!



Como desgraça pouca é bobagem, foi detectada também uma epidemia de Hepatite A entre a população de HSH (que é o jargão epidemiológico para falar dos 'homens que fazem sexo com homens' - o conceito leva em conta apenas as práticas sexuais, sem adentrar nas discussões de orientação sexual e identidade de gênero).

E por que há essa epidemia entre HSH? Parte da explicação passa pela contaminação a partir da prática de sexo anal e de sexo oral na região anal, contaminada (o famoso 'cunete'). Isso porque o vírus está presente nas fezes das pessoas que estão doentes (e até manifestar os sintomas, ele pode ficar incubado, quietinho, sem fazer alarde). 

A 4ª notícia ruim é que há também uma crescente preocupação quanto ao aumento dos casos de resistência do vírus HIV aos medicamentos antiretrovirais atualmente disponíveis, em geral decorrentes do acesso ou da adesão inadequados ao tratamento. E isso acende a luz amarela sobre essa visão difundida de que a aids é uma doença crônica tratável (como é a diabetes, por exemplo). 

Claro, aids pode ser considerada uma doença crônica tratável. Mas a necessidade de adesão ao tratamento continua imperiosa, não dá pra levar nas coxas. Da mesma forma que se vc fizer uso irregular da insulina, terá problemas, o mesmo se aplica ao uso dos antiretrovirais. E a médio prazo, levanta-se uma preocupação adicional de que linhagens resistentes do HIV possam ser transmitidas, ampliando o número de pessoas com possíveis falhas no tratamento.

Apesar de todos os avanços, fato é que os casos de novas infecções pelo HIV não tem caído, pelo contrário, tiveram ligeiro aumento no Brasil e é muito desanimador perceber isso, tanto porque sabemos que o governo brasileiro perdeu seu protagonismo nos últimos anos na adoção de estratégias mais ousadas de prevenção e também porque, na minha opinião, revela um certo descaso das pessoas quanto a se proteger (as últimas pesquisas mostram quedas no número de pessoas que reportam uso de preservativo em suas relações sexuais). 

Claro que muitas vezes o 'contexto' dificulta a prevenção (por exemplo, quando os serviços de saúde não facilitam o acesso à camisinha ou sequer disponibilizam ou quando garotas tem receio de carregar seu próprio preservativo por receio de serem taxadas de putas ou vadias). Mas há uma considerável parte da população que tem acesso à informação, aos insumos, e ainda assim, faz de conta que nada acontece. Prefere arriscar, pois acha que só acontece com os outros. 

Um ponto que me chama a atenção aqui é que a prática de sexo oral (onde praticamente ninguém usa camisinha) está sendo colocada na berlinda e acho que vamos assistir a um debate na saúde pública sobre a necessidade de maior ênfase das campanhas sobre esse ponto. Isso porque se para a transmissão do HIV o risco é menor (quando comparamos ao sexo anal e vaginal), no caso de outras DSTs pode ser a principal fonte de transmissão.

Longe de mim querer um empata-foda hehehe... mas não nego que essas notícias me deixam preocupado e me fazem pensar nas minhas próprias práticas sexuais. Não consigo me imaginar usando preservativo em sexo oral, mas talvez seja o caso de se pensar na redução de parceiros como estratégia individual de prevenção (e falo aqui "individual" porque obviamente não vou defender isso como estratégia universal - cada um deve analisar quais estratégias são mais adequadas ao seu contexto de vida).



quinta-feira, 27 de julho de 2017

O silêncio nem sempre resolve...

E que dureza acordar no meio da noite com uma puta ansiedade no estômago e com um incômodo que vc sabe muito bem de onde vem...

Ando percebendo que uso o silêncio como forma de punir quem me magoa. 



Primeiro: será esta a melhor forma de resolver as coisas?

Segundo: será que isso não acaba se voltando contra mim?

Nos motivos mais imediatos da ação vem de fato o desejo de punição, consequência direta do orgulho. Mas se explorar melhor, eu vejo que há também um instinto de defesa em não querer se deparar com algo tão dolorido.

Vou usar duas das minhas histórias para relatar isso. André e Asher

Leitores: ai HS, de novo essa história do André... que ladainha hein? muda o disco dessa vitrola... 

Eu: Puxa gente... só um pouco de paciência, garanto que vale a pena registrar aqui mais esse aprendizado, que só amadureceu agora pra mim, hehe.

Após nosso último encontro no Rio, o André queria conversar comigo, mas eu não quis e encerrei o papo de forma ríspida. Eu me sentia muito magoado, ferido, puto com o que ele havia feito e achava que conversar sobre o que havia se passado só iria me trazer ainda mais dor (além de não mudar nada). E havia um risco imenso de eu ser estúpido com ele (e disso eu já sabia que me arrependeria). 

O problema dessa "estratégia" é que você fica com um monte de coisas que queria dizer pra pessoa (que não tem forma de adivinhar isso a não ser que você diga pra ela) e ainda perde a chance de perguntar algo que queira. E a história, que poderia ser finalizada de forma mais saudável, fica te perturbando com ares de unfinished business.


Eu perdi a chance de dizer coisas importantes pro André e nem acho que ele saiba dessas coisas. 

Com o Asher, história mais recente, o movimento foi o mesmo.

Ele não me retornou como prometido e eu "concluí" que minha resposta "só poderia ser" a mesma: silêncio. E ainda usei a música como uma resposta "indireta" e dúbia. Uma quase-provocação.

Que feio! Que bosta! Que imaturo da minha parte! (mas é incrível como na hora a gente simplesmente não consegue pensar dessa forma mais racional. Ficamos 100% emoção).

Recebi outra música de volta, sem nenhuma explicação adicional e isso me deixou ainda pior do que já estava. E claro, nós fazemos a interpretação que é possível (independente de estar certa ou não).


De novo, perdi a oportunidade de dizer coisas e também de ouvir dele.

Talvez ouvir algo que não se queira seja melhor do que não ouvir nada e ficar criando hipóteses na sua cabeça (as quais quase nunca correspondem à realidade).

Acho que no caso do Asher eu também já perdi o timming. Eu quase escrevi pra ele no sábado à noite, logo depois que ele respondeu meu post com a música da Lana. Caralho, por que não fiz isso? Por que? Teria sido tão melhor, a gente teria feito um término decente, sim ia ser super dolorido, mas ia ter fechado o ciclo e seria mais fácil seguir em frente. 

Ou talvez ainda valha a pena escrever uma breve msg... vou pensar...

[pausa pro almoço]

De volta.

Criei coragem, fui lá no fundo da minha alma, escrevi uma msg e enviei pra ele. Tentei ser equilibrado, suave, e ao mesmo tempo dizer do que concluí pelo silêncio inicial dele e depois pela música recebida. Ficou uma msg grande e bem escrita.

Falei de todo o meu sentimento mas que era hora de não mais alimentar expectativas realistas. Agradeci pelos momentos incríveis vividos e disse que estaria aqui por ele sempre que precisasse. 

Vcs não tem idéia de como me senti mais leve... Uma paz imensa invadiu minha alma. Eu consegui dizer tudo o que gostaria pra ele, de forma equilibrada, sem dureza. 

Que bom poder se permitir ser vulnerável, falar dos seus sentimentos (ainda que não tenha reciprocidade da outra parte). Não deixa de ser um baita exercício de humildade e isso me faz muito bem! Me posicionei e mesmo que ele não me respondesse, eu teria a tranquilidade de não ter deixado nada em aberto.

Mas ele respondeu... e cadê a coragem pra ler? hahahahahaha

Bom, depois de procrastinar e abrir a msg com um puta frio na barriga... ele se disse muito surpreso com a msg, que simplesmente havia se esquecido de me escrever e que havia tido um final de semana muito ocuprado com a família. Disse por fim que não há nenhuma outra pessoa na vida dele e que apenas tinha mandado uma música da qual gostava, sem atinar para o teor da letra.

Meu querido leitor do blog, vc consegue se dar conta das confusões criadas por uma comunicação truncada? Ou pela falta dela? Consegue perceber?

Consegue ver como podemos tirar conclusões que não tem absolutamente nenhum lastro com a realidade? De uma música enviada de forma espontânea, eu fui capaz de construir toda uma narrativa [bom, mas vamos dar um descontinho pra mim... vcs também fariam isso se recebessem uma música que dizia, de forma literal: "my boyfriend´s back and he´s cooler than ever".]

Vendo a resposta do Asher, eu avalio que minha msg foi um pouco estruturada demais, analítica demais, detalhada demais... um pouco dramática demais, hahaha... acho que o estilo de comunicação dele é bem diferente, mais cru, seco, sem muita firula.

De qualquer forma, ficou pra mim claro que eu estou dando mais importância a esta história do que ele. Precisei de algumas evidências pra poder "acreditar" e esse esquecimento (e o fato de ele considerar isso uma coisa normal) foi a prova definitiva.

Eu respondi mais objetivamente, me desculpando pela sensação ruim causada pela msg. Entendia o que havia acontecido mas que o silêncio dele tinha me deixado ansioso. Expliquei a conclusão sobre a letra da música e brinquei um pouco falando que já via essa música sendo remixada pelo nosso DJ predileto. De qq forma, precisava dizer a ele como tinha me sentido e que agora eu estava em paz.

Ele respondeu com um:

Definitivamente, gostaria de ele escrevesse mais pra mim, que se comunicasse com mais frequência. Mas paciência, não vai rolar da forma que eu quero.

Agora uma coisa é certa: escrever esse email e me libertar de expectativas realistas me trouxe paz e uma sensação incrível de liberdade, por não ficar mais dependendo e aguardando ansiosamente uma resposta. Acho que agora me dei conta de uma vez por todas que esta história não vai rolar, que tenho de ser grato pelo que aconteceu e seguir a vida (ainda que troque msgs eventuais com ele - sem que isso mexa comigo).

Pra fechar o post, essa semana aconteceu ainda um 3º episódio que ilustra a tese inicial deste post. Meu pai me ligou e falou que estava preocupado comigo, que eu andava muito quieto, em silêncio, sem falar da minha vida e do meu trabalho (que sempre tem uma novidade, uma viagem...).


Eu expliquei algumas coisas, falei de algumas dificuldades minhas pra tomada de decisão, da angústia que sentia no atual momento.

HS: então pai, isso eu tô te falando pra vc entender um pouco mais como eu funciono e não ficar preocupado.
Pai: Meu filho, você não tem idéia do quanto eu te conheço.

Achei incrível essa afirmativa dele, feita com muita segurança e tranquilidade. E me senti seguro para falar da história do Asher (não todos os detalhes, claro, hehe), de como eu estava vivendo um momento de "fossa". Eu NUNCA havia falado pro meu pai sobre uma história romântica minha, nunca me senti à vontade pra isso nem achei que ele tivesse algum interesse em saber (apesar de já ter contado pra ele que era gay há mais de dez anos).

Olha, foi muito interessante e ele me acolheu. Do jeito super pragmático dele, com mais de 70 anos de idade, mas me acolheu hehehe... Assim que terminei de descrever a história ele emendou, categórico:

Pai: Paixão. Isso não dura mais do que 2 anos.
HS: ah pai, mas é tão bom. A gente se sente vivo. Sente saindo borboletas do estômago.
Pai: vc "acha" que sente... quando vai ver são lagartas.
HS: hahahahaha.

Me deu vontade de falar mais com ele sobre minha vida afetiva e acho que ainda teremos oportunidades para tanto. Ele me passou uma msg de esperança de que uma hora a gente encontra alguém bacana pra ficar.

Bora então deixar o passado onde ele tem de ficar - no passado. Pro novo nascer, o velho precisa morrer. 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Reencontros e desencontros - breve reflexão sobre a amizade

Acho que no geral, as amizades desempenham um papel ainda mais importante para LGBTs, pois são a fonte de apoio e prazer num mundo que ainda aceita com dificuldade as orientações sexuais e identidades de gênero não-dominantes.


No processo de descoberta e afirmação, muitas vezes nos afastamos da família e do antigo círculo de amigos e temos a alegria de descobrir pessoas que estão num mesmo processo e que têm as mesmas questões que nós. E aos poucos vamos vendo que não estamos isolados no mundo.

Comigo aconteceu assim; eu tenho muito orgulho dos meus amigos gays de mais de 15 anos, amizades ininterruptas e é muito interessante ver como evoluímos juntos, como pudemos testemunhar e participar de vários acontecimentos e com um influenciou o outro nas trajetórias individuais.

Sem esses meus amigos (e os que foram chegando ao longo dos anos), eu seria uma pessoa completamente diferente da que sou hoje (com certeza, muito menos interessante e evoluída).


Atualmente, dois fenômenos interessantes acontecem (e o adjetivo "interessante" não significa que venha sem um pouco de angústia também).

Relatei a briga que tive com o Mário no carnaval desse ano e o baita estrago que isso fez na nossa amizade. Nós conversamos, colocamos tudo em pratos limpos, eu me desculpei quinhentas mil vezes e aparentemente tudo estava bem.


Só que com o passar das semanas eu fui percebendo que o Mário tava um tanto quanto indiferente comigo, parou de compartilhar as coisas dele, nos falávamos com menos frequência... de repente eu tava sabendo coisas dele por 3os; coisas que antes saberia por ele.

Me dei conta que o Mário tinha perdido a espontaneidade comigo. E essa, minha colega, não dá pra fingir. Ou se tem ou não se tem.

Isso me deixou inicialmente emputecido por me sentir excluído de um convívio tão especial que tínhamos antes. Eu cheguei a pensar que as coisas estivessem devidamente sacramentadas e que não haveria mais o que fazer. Cheguei a "dar por perdida" essa amizade.

Mas felizmente a gente aprende na vida a ser um pouco mais analítico e, acima de tudo, paciente. Não se desesperar nem bancar a histérica. Com um pouco de dificuldade consegui entender que era normal que isso acontecesse, que para ele foi difícil ouvir as palavras duras que ouviu de mim e que eu preciso ter paciência e dar tempo ao tempo.

Então me aquietei e continuo a amizade com ele como se tudo estivesse bem, mesmo ciente de que nem tudo está como era antes. Mas vai voltar a ficar. E eu tô me esforçando pra isso.

Ao mesmo tempo... (e isso é muito interessante, hehe)... eu me dei conta de estar vivendo um processo semelhante com o Leandro, meu outro grande e melhor amigo. Só que aqui eu estava na posição inversa.

Eu e Leandro somos muito próximos há uns quase dez anos e ele tem um papel fundamental na minha vivência gay. Leandro foi o cara que me apresentou o maravilhoso mundo da sauna e me ajudou muito a viver minha sexualidade de forma muito mais livre e prazerosa (ao mesmo tempo em que ele também vivia a dele).

Só que de uns anos pra cá a gente foi gradualmente se distanciando. E isso é um pouco da vida... de repente começamos a ter interesses diferentes, um recusava os convites do outro, queríamos lugares e companhias diferentes. E nesses "interesses diferentes" entraram outros amigos, conhecidos e um namorado que vive em outra cidade.


Eu me senti preterido, escanteado. Fiquei furioso. E a minha reação foi também a da perda da espontaneidade. Passei a trata-lo de forma fria, meio que protocolar. Claro, ele percebeu isso, mas soube entender e esperar. Ficou na dele (como boa pessoa analisada que é, e como alguém que conhece muito bem as neuroses do amigo).

Nos últimos meses esse processo de distanciamento chegou ao fim, de forma natural e espontânea. Voltei a ter intimidade com ele, voltei a curtir e a buscar os momentos na companhia dele, recuperamos a liberdade um com o outro pra falar o que quiser, de quem quiser [e acredite, isso rende momentos hilários!].


Novamente a "vida" me ensinando que é preciso ter paciência com as coisas, que o tempo das coisas não é necessariamente o meu tempo de pessoa ansiosa e que quer tudo pra ontem. Mais um aprendizado que é bem vindo!


"Quando bons amigos brigam, o importante não é quem ganha/perde. O importante é quem perdoa, esquece e ainda quer ser amigo."