quinta-feira, 23 de março de 2017

Demônios internos, consequências externas.

Após o furacão André  quero escrever alguns posts sobre o Carnaval de 2017, que rendeu algumas ótimas histórias [apesar de eu não estar nos meus melhores dias].

Não foi exatamente incrível como o Carnaval de 2016 (um momento de muitas descobertas pra mim e alguns amigos), mas teve seu valor. O fato é que eu entrei e saí do Carnaval super angustiado, não apenas pela história do André, mas também por algumas questões profissionais que ainda não estavam definidas e que vão impactar ao longo do ano. Entre momentos de angústia, felizmente, localizaram-se alguns momentos de prazer efêmero, e que, ainda que efêmeros, são valorosos.

Mas antes de falar sobre estes prazeres efêmeros, o 1o post dessa sequência será duro pra mim mesmo. Eu e o Mário nos estranhamos ao longo do carnaval e no bloco da terça feira eu dei uma resposta atravessada nele que o pegou de surpresa - daí na quarta ficou um puta clima ruim.  Logo após o carnaval eu parti numa sequência de viagens de trabalho (e ainda estou nesse ritmo) então não conseguimos nos falar. Nessa segunda eu tive um sonho em que brigávamos e foi a deixa pra eu ligar e falar com ele. 

O Mário me disse que ficou extremamente chateado com a minha conduta - que ele classificou como 'grosseria' e pelo fato de eu ter demorado a chamá-lo pra conversar. Ainda me lembrou de outras respostas atravessadas que eu dei nos dias anteriores. Ao ouvi-lo, eu me dei conta do mal que fiz a ele por conta de um comportamento explosivo e grosseio meu e me deu uma sensação muito ruim, que mexe com a imagem que fazemos de nós mesmos. Inclusive a forma como agi me tira completamente qualquer prerrogativa de reclamar sobre algo, ainda que eu pudesse ter razão. Então, de forma absolutamente humilde eu lhe pedi que me perdoasse pelos "ditos e feitos". 

 

Já não é de hoje que eu percebo essa característica minha, e acho que agora foi a vez em que ficou mais cristalino: eu em geral sou um cara de boa, manso, tímido até, mas eu também tenho uma agressividade latente dentro de mim que é disparada por alguns gatilhos. E aí parceiro, eu fico louco mesmo, eu perco a cabeça, as estribeiras, subo no salto, rodo a baiana, saio dizendo impropérios e palavras duras. Ou então passo a tratar a pessoa de forma fria e indiferente. Uma coisa meio fora de controle, que faço sem pensar. Depois, claro, vejo a merda e quero me matar. 

Já aconteceu várias vezes em respostas a emails em situações de tensão ou conflito, por exemplo [daí a tréplica do interlocutor vem na mesma toada]. Nossa, uma vez eu reclamei no facebook de um convite de casamento em que eu era padrinho por terem trocado a letra do meu nome (tem base? Eu não acredito que fiz isso com uma amiga super querida, mas na hora eu fiquei puto, porque desde a infância sempre trocam meu nome, me soou como pouco caso, sabe? - claro, não justifica, mas tô tentando mostrar que existem alguns gatilhos que fazem essa agressividade transbordar).

 

Outra coisa que também me tira do sério é gente que se atrasa... Porque eu tento sempre me planejar pra cumprir o combinado previamente e me sinto ultrajado quando percebo que o outro não necessariamente teve essa mesma preocupação e me fez perder meu tempo. Tô tentando atuamente ser mais tolerante com isso, às vezes tem um problema, um imprevisto. Não posso levar tão a ferro e fogo como se a pessoa estivesse fazendo de caso pensado [tá, até tem uns casos de dolo eventual que merecem uma boa punição hehehe]. 

Mas voltando ao caso do Mário - ai, ai às vezes me acho muito louco - penso que o gatilho que disparou minha agressividade foi tê-lo percebido mais afastado e em menos sintonia comigo. Eu já disse aqui do ciúme que tenho em relação a amigos mais próximos e aqui também tem um gatilho emocional, pois há determinados contextos em que me percebo ameaçado de perder minhas amizades, como se algo ou alguém fossem me 'roubar' os amigos e os momentos que temos juntos. Os namorados deles, em especial.  

O Mário dessa vez foi em três baladas noturnas no Rio, então tava um esquema de sair onze da noite e chegar às dez da manhã. Isso me incomodou bastante, porque pra mim a prioridade eram os blocos e a praia. Até porque balada eletrônica temos em São Paulo sempre. Ele acabou ficando mais afastado do grupo e eu, pra ajudar, tava mais matutino, saindo pra correr e pedalar na Lagoa cedo, pegar praia, etc. Então ficamos muito díspares. Acho que a cabeça dele estava em outro lugar que não ali... E ficou a impressão de que os blocos no fim da tarde eram uma rebarba, que ia meio que por obrigação. 

 

Pra piorar um pouco, o nosso grupo de amigos estava bem disperso, pessoas e interesses diferentes, então você imagina na hora de organizar 8 viados pra irem a um bloco. Fulano demora no banho, cicrano faz corpo mole, beltrano precisa passar antes no caixa pra tirar dinheiro, confusão pra pegar taxi, e quando você vê já estamos duas horas atrasados. E eu querendo sair cedo pra chegar e beijar mais bocas (e aí percebia que tinha uma 'cambada' me 'atrasando' e me 'dificultando' a vida). Tudo isso me acumulou, de fato, muita agressividade. De novo, a sensação de estarem me sacaneando, fazendo pouco caso de mim (tô tentando descrever o que se passa internamento quando me sinto assim). 

 

Será que eu tinha direito de me chatear com o Mário? Acho que não. Eu inclusive, que defendo a posição individual de cada um (e a minha principalmente), não teria porque reclamar da "troca" de programação. E eu tive a opção de ir com eles, me convidaram antes, mas eu realmente não estava na vibe de música eletrônica e aditivos, então também fiz uma escolha aqui que foi entendida e aceita por eles. 

Só que me doeu no ego essa sensação de distância e aparente descaso dele. 

Vamos então tentar aprender com a situação, desculpar-se pelos erros e tentar fazer melhor na próxima.

Primeira lição aqui é que eu preciso aprender a me controlar quando esses gatilhos forem disparados (sim, porque eles vão continuar a vir). Pensar melhor antes de dizer ou escrever algo... Dia desses consegui essa proeza num desses grupos de whatsapp da família em que postaram uma piada super desumana sobre a esposa do Lula (independente da sua posição sobre política). Eu escrevi uma primeira mensagem que ficou forte, eu pensei, pensei... E reescrevi, suavizando. Ainda bem... E foi super bem recebida, até minha irmã, uma das que havia postado a piada, entendeu o contexto e se desculpou.

Daí vem a 2a lição: uma resposta mais suave ao seu interlocutor pode aumentar muito a chance de você ser compreendido por ele. No caso do Mário, eu poderia ter externado alguns incômodos de forma mais suave, sempre tivemos abertura para isso. Mas dessa vez, a forma agressiva como fiz fez com que ele se fechasse também na sua posição. E aí não tem acordo, não tem meio termo, não tem síntese, não tem porra nenhuma.

Quando ouvi o relato que o Mário me fez, eu senti como se estivesse com o diabo dentro do corpo, ou de uma maneira mais lúdica, como se o diabo da tasmânia tivesse encarnado em mim durante todo o carnaval, agindo daquele jeito devastador por onde vai passando. 

 

Agora que tô mais "assentado" nos sentimentos, espero ter aprendido com esses acontecimentos e, principalmente, espero ficar bem mais atento pra não repetir isso e magoar as pessoas que amo e que me são muito preciosas. 

E vida que segue!

 


terça-feira, 21 de março de 2017

André - frio e solto na vida - parte II.

Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos. Tínhamos um plano, você mudou de ideia. (Sereníssima, Legião Urbana).

Foi um alento ter escrito aquele texto [imenso] sobre o André; me ajudou a ter uma dimensão de todo o processo e de fazer algumas reflexões, perceber coisas que eu não tinha visto antes. 

Quero escrever agora algumas coisas que gostaria de dizer a ele. Eu fiquei nas últimas semanas me "preparando" para uma pretensa conversa. Olha como a mente da gente é maluca... Eu tinha certeza que em algum momento ele iria me ligar e, de certa forma, me pedir desculpas. 

Tudo bem que na última mensagem que ele me mandou a resposta minha foi seca. Eu fiquei me perguntando se deveria ter cortado contato dessa forma tão brusca. Se não seria o caso de ter conversado com ele, como de fato ele quis naquele final de semana trágico. 

Pode até ser. Mas exigiria de mim uma dose de frieza e resignação que eu não estava disposto a dar. Me sentiria muito violentado se tivesse de agir assim. E eu sou orgulhoso mesmo, é uma característica minha (nem vou entrar no mérito se é um defeito). Mas é fato que com esse corte de contato eu quis também punir o André (como se pra ele isso fizesse diferença... Não faz.... Aquele coração de aço...).

Tanto não faz diferença que ele não me ligou e não mandou mais mensagens. Eu penso nele todos os dias e os pensamentos variam. Às vezes me pego "ensaiando" as falas que diria a ele. Em outras, tento encontrar explicações,  e nas demais sinto raiva por ele ter agido dessa forma comigo.

 

Mas o que exatamente te deixa com raiva do André? Afinal, eu mesmo dizia estar fazendo uma aposta nesta história. Identifico duas questões.

A 1a foi que acho que ele desistiu muito fácil da nossa história. Ao longo de janeiro ele foi se desligando, acho que de forma até automática, o interesse deve ter diminuído, ele já não se sentia tão motivado a me dar qualquer tipo de atenção especial. 

Nesse momento tudo o que posso fazer são hipóteses e conjecturas. Então eu acho que pesou a nossa noite "meia boca" de sexo no final do ano. Eu mesmo fiquei atordoado no dia seguinte, pensando que não daria certo se o padrão de transa fosse esse. Mas ao longo dos dias seguintes 'construí' uma saída na minha cabeça que passaria por uma boa conversa a dois na qual eu falaria pra ele as coisas que gosto numa boa trepada e que adoraria que ele fizesse. Acho que a gente precisa investir mais em boas conversas com nossos parceiros, seja namorado, pau amigo, amizade colorida ou foda única.

Bom, se ele começou a se desligar por isso, é uma pena, acho que mostra certa falta de maturidade em como resolver as coisas, considerando todo o mais que havia nessa história. 

O outro ponto foi a de ele ter me deixado viajar ao Rio sem esclarecer as coisas. Pra mim é óbvio que ele chegou ao Rio já sabendo que não queria mais ficar comigo. Ele podia ter me dito isso, me dado a oportunidade de decidir se eu iria ou não e em que termos. Isso me doeu muito porque eu me senti como um idiota, um palhaço, que se prepara pra uma festa achando que o traje é a rigor, mas ao chegar lá e descobre que é esporte.

 

Porra,  vai tomar no cú! 

Eu nem vou especular aqui o quao deliberdamente ele agiu, acho que não foi de caso pensado, sinceramente acho isso. Mas me deixou muito puto e eu vou ter de aprender a viver com esse episódio e em breve espero esquecê-lo.

De qualquer forma, apesar de toda a dor que essa história trouxe, também trouxe uma coisa positiva. Eu me permiti viver essa história sem maiores receios, me deu vontade de namorá-lo e, ainda que não tenha dado certo com ele, eu levo isso comigo e fará diferença numa próxima história bacana que acontecer. 

Felizmente, o sofrimento pelo qual passamos nunca é em vão. E eu não tenho mais medo de tentar. Como diz a música da Madonna: Yes, I´m ready  to jump!

 

Eu ainda não consigo entender as supostas razões e motivos que ele teve pra fazer o que fez... Imaturidade, medo, ou simplesmente descurtiu (como eu já fiz outras milhares de vezes pra ir atrás de coisas que naquele momento me interessavam mais). Só que mesmo que eu pense assim, a dor vai continuar a mesma, a dor dessa história não ter dado certo, uma história na qual você apostou muitas fichas, se dedicou, treinou a entrega e a conexão. 

Termino esse texto então com a música que talvez simbolize o fim melancólico dessa história e que, quem sabe, um dia eu tenha a oportunidade de enviar ao André. Ela se chama Pra ser sincero, provavelmente a única canção que eu goste dos Engenheiros do Hawaii. 

 

Pra ser sincero 
Não espero de você
Mais do que educação
Beijo sem paixão
Crime sem castigo
Aperto de mãos
Apenas bons amigos

Pra ser sincero
Não espero que você
Minta!
Não se sinta capaz
De enganar
Quem não engana
A si mesmo

Nós dois temos
Os mesmos defeitos
Sabemos tudo
A nosso respeito
Somos suspeitos
De um crime perfeito
Mas crimes perfeitos
Não deixam suspeitos

Pra ser sincero
Não espero que você
Me perdoe
Por ter perdido a calma
Por ter vendido a alma
Ao diabo

Num dia desses
Num desses encontros casuais
Talvez a gente
Se encontre
Talvez a gente
Encontre explicação
Num dia desses

Num desses encontros casuais
Talvez eu diga:
-Minha amiga
Pra ser sincero
Prazer em vê-la!
Até mais!

Nós dois temos  os mesmos defeitos
Sabemos tudo
A nosso respeito
Somos suspeitos
De um crime perfeito
Mas crimes perfeitos
Nunca deixam suspeitos

quinta-feira, 16 de março de 2017

André, frio e solto na vida. Ou "Didn't We Almost Have It All"

Cansei dos mesmos rostos, dessa repetição. Me deixa ser o centro da sua distração. Cansei dos inquilinos da minha solidão. Olhar você dormir não é compensação. (Silva, Cansei).

Provável que este seja o texto mais triste e angustiante escrito até agora aqui. Peço desculpas de antemão, mas também será o mais longo. Eu preciso escrever. 

E ele será sobre o André, de quem já falei aqui e aqui



Nosso último e derradeiro encontro aconteceu há pouco mais de um mês no Rio de Janeiro e me trouxe uma avalanche tão intensa de sentimentos ruins... foi difícil passar pelos primeiros dias após. Uma mistura de raiva e frustração, algo do tipo "como isso pode estar acontecendo" ou "então tudo o que houve até agora não valeu de absolutamente nada???".

Apesar de já estar melhor quero usar este texto como uma forma de expiação de ao menos parte da energia ruim que ainda reside em mim por causa do desfecho desta história. E quem vier a ler eu gostaria muito que deixasse algum comentário, conselho ou sugestão. Eu realmente gostaria de ouvir dos leitores do blog. Tenho alguns porquês ecoando no coração e acho que talvez não poderão ser respondidos. É galera, nem tudo tem resposta como a gente gostaria.

Andre é amigo do Zeca, que é um dos meus melhores amigos. Fizeram residência juntos, ele tá na casa dos 40, mas só se assumiu `gay` (inclusive pra si próprio) há cerca de uns dois anos. Ele brincava dizendo que "ficou perdido no armário por cerca de 20 anos". Não consigo entender muito bem como alguém ainda hoje consegue ficar "perdido" dentro do armário tanto tempo, mas ele parecia não sentir muito a necessidade de ter alguém, ou de exercer a sexualidade de forma mais corriqueira. Os desafios e movimentações profissionais talvez tenham ocupado este espaço até então. junto com alguns bons amigos e relações esporádicas e efêmeras com algumas mulheres. 



Ele mora fora do país e vem a trabalho às vezes. Numa dessas vindas no 1o semetre, o Zeca disse que queria lhe apresentar alguns de seus amigos gays, sair para jantar e dar umas dicas pra ele da vida gay de sampa. André queria aproveitar a visita para conhecer e se divertir um pouco.

O jantar foi ótimo, nós não saímos juntos naquela ocasião mas eu achei ele bem interessante e me perguntei: ué e por que não? (Não deveria ter me perguntado nada...). O fato é que nós trocamos contato no face, whats, começamos a conversar e a frequência foi aumentando. Ele me perguntava várias coisas, curiosidades, como tinham sido minhas experiências gays e também contava as deles, que começavam a acontecer, principalmente nas viagens de trabalho (ele tinha um vasto campo a explorar com a ajuda dos aplicativos e pelo próprio perfil dele, que puxa papo facilmente num bar ou numa balada).

Eu realmente comecei a me interessar, porque ele é um cara bonito, bom de papo, super inteligente e, mais que tudo, ele estava numa fase libertária de descobertas que combinava com o meu momento de extrema experimentação. Ambos concordávamos que um modelo tradicional monogâmico de namoro não era algo que desejávamos e nem que funcionaria. Aparentemente era tudo o que eu procurava: alguém com quem estreitar laços emocionais e que ao mesmo tempo não me tolhesse a liberdade de ter outras experiências (que inclusive poderiam ser feitas conjuntamente).

Claro, eu não fui explícito no meu interesse, ate porque ele foi crescendo aos poucos, de forma natural, sem pressões. 

Uns meses após ele voltou a São Paulo e ai já tínhamos combinado um tour onde eu seria o cicerone dele. Na sexta o levei à 269 e ele curtiu. Não rolou nada entre a gente, achei que não seria um momento para aborda-lo mas eu achei o corpo dele um tesão e só aumentou minha vontade de ficar com ele. O André faz um tipo mais slim, magrelo, mas com o corpo torneado na medida, porque pratica vários esportes (onde ele mora não tem muito mais o que fazer além do trabalho, então ele vai se exercitar - pólo, futebol Society e natação).

O sábado seria o grande dia! Uma big festa na The Week, com DJ internacional e muita gente de fora. A festa corria ótima (contei um pouco dela neste post), eu logo no começo conheci um cara e ficamos por um tempo. O André veio até mim e disse: mandou muito bem, ele é um gatinho! (Foi a deixa pra eu pensar em alguma estratégia pra me aproximar dele.) Eu tentei acertar um beijo a três entre nós, mas o rapaz achou um absurdo, acho que se ofendeu e caiu fora... Até ai o Andre já tinha dado algumas voltas pela boite buscando conhecer o local, ver a dinâmica ali e dar uns beijos em algum cara.

Uns minutos depois meus outros amigos foram pegar bebida no bar e eu me vi sozinho na pista com  ele. Pensei comigo: é agora ou nunca! Eu comecei a olhar pra ele de forma diferente, ele percebeu, deu uma risadinha sem graça, fui em direção a ele e o beijei. AAAAAHHHHHHH que maravilha!!!! Eu tinha vencido minha timidez, o medo da rejeição, e consegui o que tanto queria.

Dois beijos depois ele olha pra mim e fala: vc sabe que eu to numa fase meio `slut`, né?. 
Eu respondi: tudo bem, não estou te pedindo em namoro nem em casamento. 
Ele disse: eu sei, vc tá bem de boa. (Mas acho que ele quis deixar registrado e também pontuar que ele até poderia ficar comigo mas que queria ficar com outros caras também).

Eu fui muito sussa e deixei ele super à vontade pra sair ali do grupo, dar voltas, ficar com outros caras, etc... Após uma dessas voltas ele sugeriu que também topava pegar um terceiro junto comigo.

Essa noite foi incrível porque me veio uma potência, uma sensação de segurança e auto afirmação... que não sei de onde surgiu, hehehehe... Eu topei a brincadeira, peguei ele pelo braço e saí com ele pela pista e ao longo do caminho íamos abordando caras que achávamos interessantes e demos alguns beijos a 3 (quem lê o blog sabe o quanto eu aprecio essa prática!).

Terminamos a noite nos atracando com um casal de uruguaios e ali ele finalmente se soltou e eu senti que ele estava mais em conexão comigo. Eu aproveitei aquele momento pra pontuar que ele poderia estar numa relação (de preferência comigo, hehehe) e preservar a liberdade dele e a possibilidade de ficar com outras pessoas. 

André voltou pro país onde reside e trabalha. E ao longo do segundo semestre nòs desenvolvemos uma comunicação diária, nos falávamos todos os dias pelo whats, às vezes conversas longas pelo skype e o tom do diálogo foi ficando mais carinhoso, mais intimo... Numa das primeiras conversas ele me perguntou se eu tinha `planejado`aquela noite na TW e eu disse que sim. Ele riu e retrucou: I knew it!

Eu acho que ambos nos permitimos essa história que se desenvolveu... Era como um namoro on line... as frases carinhosas de despedidas e os emojis fofos de coração foram ficando frequentes... Um dia ele estava um pouco bêbado e espontaneamente me mandou um `te adoro. Adoro tua voz`... 

Duas frases em especial me chamaram a atenção. 

Numa ocasião André me disse: vc sabe que estamos caçando problema desse jeito né? Não me lembro ao certo o que respondi, mas disse não me importar e que esse era um tipo de problema que valia a pena ser caçado [ah, como a gente é idiota, né?]

A outra foi: até pouco tempo as pessoas me perguntavam se eu namorava e eu dizia de cara que não. Hoje, se me perguntam, eu engasgo e já não sei o que responder. Na sequencia dessa conversa ele me mandou uma música bem legal da Donna Summers chamada This time I know it's for real. Mas claro, as nossas defesas sempre precisam deixar uma porta de saída. But don't take it too seriously, ele pontuou. 

Nós começamos a fazer vários planos pra nos encontrar. Combinamos o ano novo, o carnaval e ficávamos falando sobre possibilidades de viagem nas férias de 2017. Califórnia e Austrália eram as primeiras opções. 

Eu sei que isso foi indo super bem até o derradeiro momento de encontro no ano novo. A sintonia era bacana, parecia ser mútuo o desejo de encontrar e de cultivar essa história. Eu sabia que ele tinha as histórias dele nas viagens de trabalho (sempre rolava uma balada, uma sauna, ou um peguete naquele estilo Adriana Calcanhotto de 'um amor em cada porto'). Ele também sabia que eu saía em SP, conhece meus amigos, via fotos, etc. A única coisa que pontuei é que preferia não saber das coisas que ele fazia (o Mario acha que isso já foi um `senão` na história e na suposta proposta de relação aberta, mas eu disse que não queria estabelecer uma relação simplesmente de `brothers`, não tinha o menor interesse de construir uma história no estilo `brodegarem`. Eu via o André como um namorado, queria ele como namorado, mesmo que numa relação aberta e à distância).

Fim de ano chegou e eu muito, muito tenso pra encontrá-lo. O Mario tava junto no réveillon e quase precisou me sacudir e me dar uns tapas. Mas ele, fofo e atencioso, sentou comigo e conversamos, ele me acolheu e tentou me ajudar, problematizando a situação e tentando me tranquilizar. Revendo aqui as notas no tablet, encontrei algumas anotações que fiz pouco antes de encontra-lo, como forma de organizar os pensamentos:

Pra quando encontrar o André. 
Inseguranca. Mta coisa em jogo.
Lembre se que o 'não' vc já tem. Vc já tinha inclusive. Mas vc foi atrás, arriscou, se fez notar. E ele notou. Considerou a possibilidade. Surgiu uma historia. E por que o medo agora? Medo de ser rejeitado. Rejeitado por alguém de quem vc tá gostando e sobre quem coloca altas expectativas. 
Não deixe transparecer insegurança. Cuidado pra não levar pro lado pessoal algumas criticas e ogrices que ele diz meio que naturalmente. Lembra q ele tem um humor negro acido, irônico. Mas tbem já demonstrou em algumas ocasiões cuidado e preocupação com os teus sentimentos. 
De inicio aja naturalmente, como se tivesse encontrando um brother, um buddie. Veja se há abertura para uma abordagem mais intimista. Tente ler a postura dele. Veja se há espaço  pra vc ser mais explícito na demonstração dos teus sentimentos e expectativas. Talvez ele esteja sentindo o mesmo, mas por enquanto não dá pra saber.
O que será que ele vai sentir quando me ver? Como vai agir? Talvez fique mais travado no começo, mas aí vcs engatam uma conversa, uma cerveja... Boa música, e as coisas voltam à normalidade, como nas conversas diárias pelo whatsup.
Se rolar sexo, também não tem motivo pra inseguranca. Aja exatamente como nas outras trepadas tuas, vc sabe fazer e faz muito bem. 
Esta é uma aposta que você está fazendo. 

E revendo um dos últimos posts que escrevi em dezembro, algumas destas inseguranças já começavam a aparecer e eu ia tentando administrar isso. 


Fomos os três pra uma boite na cidade onde estávamos e naturalmente eu e André começamos a ficar, um beijo ótimo, um abraço apertado... E ele brincou dizendo que não lembrava de ter sido tão bom e intenso na vez anterior... E falou que ele próprio tava mais inteiro dessa vez. 
Saímos à noite, encontramos alguns amigos e continuava na mesma... Até que fomos a um bar gay, ficamos dançando, bebendo e nada. Nenhuma aproximação e eu queria sentir se ele viria, porque da minha parte estava claro que eu iria, não era a minha intenção que estava ali sendo questionada naquela hora. 


Ele me chamou pro hotel dele e fomos. Só que a transa não rolou tão bem quanto a ficada na boite. E isso ainda é uma grande incógnita pra mim. Da minha parte, eu estava tenso, preocupado em não fazer feio, em ter uma performance boa, eu tava com medo de decepcioná-lo (como se isto estivesse totalmente ao meu alcance). 

Outra coisa que me tirou a espontaneidade foi ter percebido uma vibe mais passiva da parte dele. Das nossas conversas ele falava que era flex, como eu, então nem me preocupei muito com isso. Mas ali, naquele momento, a vontade dele era mesmo levar rola... Eu entendi e correspondi... Comi ele só que foi diferente do que se eu estivesse numa sauna e pegasse um cara com vontade de dar. Uns 15 minutos depois eu perdi a ereção, acho que ele pensou que eu tivesse gozado... Mas eu simplesmente não conseguia continuar... Eu queria um revezamento ali e ele não se prontificou... Nós dormimos e ele disse que preferia dormir na cama sem estar abraçado com alguém. Cada um no seu canto.

Eu acho que essa transa mal sucedida foi a 1a quebra na história. Eu percebi a falta de sintonia, dormi mal, acordei com uma puta dor nos ombros. Nós ainda transamos de novo pela manhã, só um sarro básico... Ele gozou e foi tomar banho. Eu não fiquei com vontade de gozar, nem na punheta. Tomei banho e saímos pra tomar café.

Meu deus... Aquela manhã estranha custava a passar... O clima estava diferente e eu super angustiado pensando `puts, e agora, como vai ser?`

Apesar do climão, fomos passear na orla da cidade, o dia estava ensolarado, pegamos uma cerveja e sentamos de frente ao mar. Perguntei inclusive se ele tinha algum problema com o que chamamos em inglês de PDA - public demonstration of affection e ele foi super de boa dizendo que não. Então ficamos abraçados, dando beijinhos, trocando carinhos... Curtindo o sol e o último dia do ano... Aquilo me deixou um pouco mais tranquilo.

Na passagem de ano fomos para uma praça lotada de gente, nos abraçamos, nos beijamos e as palavras dele pra mim deram a entender de que ele queria estar próximo de mim no ano que se iniciava (afinal, tantos planos ja feitos...).

Depois da praça saímos pra dançar noutra boite e foi bem bacana, dançamos juntos e sem camisa, como na 1a vez... Eu achei que ele curtiu a noite (mas o Mario, depois, me falou que `achou`que ele preferia ter ficado um pouco mais solto... Bom, isso eu provavelmente nunca saberei... Mas fato é que passamos a noite juntos, de casal... Eu até toparia umas brincadeiras a três, cheguei a apontar dois caras que tinha achado interessante, ele chegou a puxar conversa mas a galera nesse dia parecia não estar muito disposta a interações menos ortodoxas. 

Fim de noite, eu mega cansado, sete da manhã, fomos comer numa padoca e, ao irmos pro meu hotel ele me perguntou se eu não queria dar um pulinho numa sauna ali próxima. Eu confesso que me espantei um pouco... Mas fui sussa e falei pra ele ir de boa, que eu estava muito cansado pra poder aproveitar (e de fato, a ideia não me inspirava naquele momento). E não é que ele foi e ficou lá brincando até as 11 da manhã. (Não sei de fato o tamanho da brincadeira e se ele levou alguém pro hotel dele). 

No dia 1o nos encontramos ja no começo da noite, fomos jantar e o clima romantiquinho continuava. Ele ja iria embora no dia seguinte e lá pelas onze da noite nos despedimos... 3o ponto estranho - ele se justificou dizendo que não me convidaria pra dormir com ele porque teria de acordar cedo na manhã seguinte, viajar por várias horas, etc... Eu, novamente, `super` concordei, dizendo que entendia e que não havia problema... Mas na verdade eu estava é com medo de repetir a tragédia da 1a transa... Não queria em hipótese alguma passar por aquela situação novamente.

Escrevendo agora consigo me dar conta desses 3 sinais problemáticos que aconteceram na viagem. Apesar disso, eu não pensei em desistir, não achei que os fatos seriam um atestado definitivo da inviabilidade dessa relação, eu achava que havia muito mais coisas bacanas que justificavam não desistir assim de cara. (E eu acho, sinceramente, que muitas dessas coisas podem ser encaminhadas com uma boa conversa, ou pelo menos vc tem de tentar, não pode ir desistindo assim, de cara). 

Ele me mandou uma msg super fofa ao embarcar agradecendo a viagem, dizendo que havia sido um `marco` e que outros `marcos` viriam ao longo do ano. Essa msg de certa forma me tranquilizou pois me parecia uma sinalização de que a gente continuaria juntos e que teríamos duas ocasiões na sequência pra nos encontrar, ficar juntos e ver o que disso poderia sair. Ele viria ao Brasil para uma viagem de trabalho no final de janeiro e depois passaria o carnaval comigo e com meus amigos. 

O fato é que janeiro foi passando e eu fui sentindo um distanciamento lento e gradual dele... Ele viajou várias vezes e o fato de saber que ele estava saindo, ficando e/ou trepando com outros caras começou a me incomodar e a me deixar inseguro. Não pelo fato em si, mas porque eu sentia que ele estava me dando menos atenção do que antes. Em algumas das conversas ele falou que me via como um amigo; eu retruquei dizendo que ele era mais do que um amigo pra mim (eu deveria ter esclarecido melhor isso na ocasião mas não quis fazer DR).

Num domingo eu reclamei com ele, pois ele não havia falado comigo no final de semana, me chamou no whats mas foi jantar e me deixou ali escrevendo sozinho. Eu sai pra correr mas deixei um recado dizendo estar chateado e no dia seguinte nos tivemos nossa 1a DR, quase duas horas, onde falamos varias coisas. Ai consegui pontuar de forma linear algumas coisas que estavam me incomodando e ele ouviu super atentamente. 

Ele a principio disse estar trabalhando muito e que sabia que eu era um cara tranquilo, amigo e que por isso sabia que era de boa ficar daquele jeito, que eu entenderia. Disse também que era assim com todo mundo e que eu não era o único a reclamar e a pontuar isso.

Dessa conversa saíram três coisas legais: ele entendeu o meu incômodo e disse que ficaria mais atento. Disse também que era pra eu ter abertura com ele e pontuar sempre que algo me incomodasse. Eu, por outro lado, falei que ele também tinha liberdade pra me falar caso as coisas tivessem mudado. Disse que meu maior receio era achar que estava caminhando ao lado de alguém numa história e, de repente, descobrisse que na verdade eu estava caminhando sozinho. 

Fato é que as coisas não melhoraram e meu incômodo e insegurança cresceram. A essa altura eu já estava angustiado mas ainda não conseguia concluir que a história havia acabado (e que só faltava jogar uma pá de terra pra sacramentar). Eu passei a agir mais friamente e distante, ele percebeu isso, se chateou e disse: queria que vc voltasse a ser como antes, ao menos um pouco. Eu respondi: eu também gostaria de ver o Andre de antes. Dai ele se estressou e disse que não tava curtindo esse `drama`, que era melhor a gente conversar pelo telefone.

                            

Ler de alguém que se gosta a informação de que `estou fazendo drama` me desceu muito mal... Mexeu com minha auto estima, era como se um cara super seguro de si me apontasse com todas as letras as minhas fragilidades, a minha insegurança (e a gente, ainda mais homem, nunca quer parecer assim, especialmente aos olhos de quem se gosta). É como se alguém te apontasse um defeito ou uma atitude que você não teria o direito de ter.  É terrível parecer inseguro aos olhos do outro, ainda mais quando esse outro se mostra tão inabalável, como se você estivesse exagerando e não houvesse motivo pra tudo isso.

Aqui eu errei novamente... Eu deveria ter puxado uma 2a DR ao telefone... Mas como ele ja estava no Brasil a trabalho não quis colocar esse peso todo, retrocedi na estratégia e mandei uma msg tranquila de audio pra ele, tentando soar seguro: fala filhote, tudo bem? Não tem drama nenhum aqui, só um incômodo que duas pessoas adultas vão resolver e conversar em alguns dias. Boa sorte no trabalho e nos falamos. Beijão. Saudade.

O clima suavizou e eu realmente achei que, apesar disso, nós nos encontraríamos e ficaríamos juntos. 

Ledo engano minha colega!


Fui ao Rio encontrá-lo e dou de cara com uma pessoa totalmente distante, que tava me tratando como um colega. Nos encontramos na orla de Ipanema pra correr e fazer exercícios e não percebi nenhuma atitude mais afetuosa, carinhosa (não que eu esperasse que ele me agarrasse e me desse um puta beijo de língua, mas há várias sutilezas na linguagem corporal que denotam maior aproximação).

Demorou umas 3 horas pra, numa determinada ocasiao, a gente aproximar os ombros, os braços e ai não tinha como não dar um beijo. A essa altura eu ja estava no ápice da angústia e já dando a batalha como perdida. 

O beijo precipitou a 3a (e última) DR nossa... Ele meio que falou que não queria que rolasse drama nessa história, que não queria que eu sofresse e novamente me disse a frase típica de que me 'via como amigo'. Eu falei que percebia de fato que ele não estava a fim, que esses sentimentos precisavam ser espontâneos (ou se tinha ou não se tinha) e que eu nao iria mendigar afeto e atenção dele.

Não consigo agora detalhar a conversa, mas o fato foi que eu coloquei um tom definitivo e conclusivo sobre o fato de ele não estar a fim. Ele fez um pouco de firula, disse que era um cara muito solto... Mas em nenhum momento questionou o que eu disse, em nenhum momento defendeu a continuidade da história. Eu novamente o questionei de ele não ter me dito antes isso e ele falou que estava confuso, que não saberia qual era a resposta caso fosse perguntado.

Nós fomos embora e eu só queria um remédio que me fizesse esquecer tudo aquilo e que me tirasse dali o mais rápido possível. Mal dormi e acordei no sábado de manhã com uma angústia do tamanho da baía da guanabara. Liguei na cia aérea e troquei minha passagem pelo primeiro voo disponível. Precisava voltar pra sp, pra minha casa, pra onde me sentisse mais acolhido. Vc vê o absurdo da situação.... Ir embora do rio num sábado ensolarado de manha... Mas era a única coisa que eu conseguia fazer e não tinha porque me forcara ficar ali, sentindo angústia e me lembrando dele a todo momento. 

Ao chegar no aeroporto mandei uma msg pro André dizendo que estava voltando e desejando um bom final de semana e retorno ao país dele. Naquele momento também decidi enviar uma letra de música que tinha guardado pra ele, em responsta à letra da Donna Summer que ele enviara meses antes. E é simplesmente incrível mas essa letra diz exatamente tudo o que eu gostaria de dizer pra ele - Get together - Madonna.

Can we get together? I really, I really wanna be with you. Come on check it out with me. I hope you, I hope you feel the same way too.

O André entendeu e ainda quis conversar comigo pelo telefone. Eu disse que não queria, e ele respondeu que achava melhor, disse um insensivel `viremos a página` que me deixou muito puto... Será que o cara não percebe o quão chateado fiquei? Pega esse pragmatismo todo e enfia no cu! Fácil quando não se sente né? Podia ter passado sem essa. Cagadinha na saída. E ainda tive de ler outra pérola ao fim dia: se ajuda, minha prima te achou um gato. (Sinceramente, não tenho mais 15 anos pra esse tipo de coisa). Nem visualizei a resposta. Solenemente ignorada.

Nós ainda nos falamos mais duas vezes, de maneira formal e apenas para combinar coisas do caranval, que agora estava completamente comprometido. Concordamos que não faria sentido ficarmos no mesmo apto. Na última mensagem acho que ele ainda tentou puxar conversa, perguntou como eu estava, mas eu me limitei a resopnder o que ele tinha perguntado sobre o apto e acho que ele entendeu que de fato eu não estava a fim de conversa. 


E assim terminou essa história. Não nos falamos mais desde então. Os meninos viram ele em um dos blocos de carnaval e ainda bem que eu não estava na hora, pois acho que teria me feito mal. 
No próximo post vou continuar a analisar os últimos pontos dessa história e tentar fazer um fechamento - até pra poder seguir em frente sem olhar pra trás.  

PS: me desculpem a formatação falha, mas hoje eu tô travando uma batalha com a porcaria desse blogger e, assim como na história do André, eu também perdi aqui. :(